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Gênero Discursivo Entrevista: Estrutura, Características e Como Cai no ENEM

Fotografia de um repórter segurando um microfone enquanto entrevista um especialista, ilustrando a situação comunicativa do gênero entrevista
Fonte: LinkedIn

A entrevista é um dos gêneros discursivos mais presentes no nosso cotidiano, figurando em jornais, revistas, televisão, podcasts e plataformas digitais. Essencialmente dialógica, ela nasce da interação oral entre um entrevistador e um entrevistado com o objetivo de extrair informações, opiniões ou relatos de vida. No ENEM, dominar esse gênero é fundamental, pois as questões frequentemente cobram a identificação de marcas de oralidade, a organização em turnos de fala e a adaptação da linguagem ao público-alvo.

Sumário

  1. O que é o Gênero Entrevista?
  2. Estrutura da Entrevista Escrita
  3. Marcas Linguísticas e Discursivas
  4. A Entrevista na Divulgação Científica
  5. Mnemônicos e Dicas
  6. Como Cai no ENEM
  7. Principais Dúvidas
  8. Resumo Completo
  9. Referências

O que é o Gênero Entrevista?

A entrevista é um gênero de caráter predominantemente interacional e informativo. Ela pressupõe, obrigatoriamente, a existência de pelo menos dois interlocutores:

  • O entrevistador: responsável por conduzir o diálogo, elaborar as perguntas e guiar o foco da conversa.
  • O entrevistado: a pessoa de quem se deseja extrair informações, que pode ser uma figura pública, um especialista em determinado assunto ou uma testemunha de um fato.

Sua principal função social é informar o público, propor debates, esclarecer temas complexos e formar opiniões. Dependendo da condução, a entrevista pode ser classificada de três formas principais:

Tipo de EntrevistaCaracterística PrincipalExemplo de Aplicação
EstruturadaSegue um roteiro rígido de perguntas pré-definidas. Não há margem para desvios.Pesquisas de censo (IBGE), formulários médicos.
SemiestruturadaPossui um roteiro base, mas permite que o entrevistador faça perguntas extras a partir das respostas.Entrevistas jornalísticas, programas de talk show.
Não estruturadaNão segue roteiro fixo. Flui como uma conversa espontânea e livre.Entrevistas biográficas mais íntimas, certos podcasts.

Estrutura da Entrevista Escrita

Embora nasça na oralidade, a entrevista é frequentemente transcrita para meios impressos ou digitais (jornais, revistas, blogs). Quando convertida para a escrita, ela assume uma estrutura razoavelmente padronizada para orientar o leitor:

  1. Título (e Subtítulo): O título costuma trazer uma frase de impacto (uma citação aspeada) dita pelo entrevistado, ou o tema central da conversa. O subtítulo (ou linha fina) complementa a informação principal.
  2. Apresentação / Contextualização: Um ou dois parágrafos introdutórios elaborados pelo repórter. Essa seção serve para:
    • Apresentar quem é o entrevistado (currículo, relevância).
    • Apresentar o gatilho da entrevista (por que essa pessoa está sendo entrevistada agora? Lançamento de um livro? Uma nova descoberta científica?).
  3. Corpo da Entrevista (Perguntas e Respostas): É o diálogo em si. Aqui ocorre a alternância de turnos de fala. Visualmente, o texto se organiza destacando quem fala a cada momento. Geralmente, as perguntas do repórter aparecem em negrito e as respostas em fonte normal.

Marcas Linguísticas e Discursivas

A transposição da fala para o papel exige cuidados editoriais. O texto da entrevista transita entre a oralidade e a escrita, o que gera características linguísticas muito específicas:

  • Discurso Direto: É a reprodução fiel da fala do entrevistado. Ocorre o uso constante da primeira pessoa (eu, nós) nas respostas.
  • Marcas de Oralidade: Como é um diálogo, é comum a presença de expressões coloquiais, repetições, hesitações e gírias, especialmente se a entrevista for menos formal.
  • Recursos Gráficos e Pontuação: A edição tenta traduzir as emoções e pausas da fala para o texto usando sinais de pontuação e anotações. É frequente o uso de:
    • Reticências (...): para indicar hesitações, pausas ou interrupções de raciocínio.
    • Aspas (" "): para destacar termos irônicos, citações ou falas enfáticas.
    • Parênteses ( ): utilizados pelo editor para inserir reações não verbais, como (risos), (silêncio prolongado), (chorando).
Trecho de uma entrevista transcrita em revista destacando o uso de negrito nas perguntas e parênteses indicando risos do entrevistado
Fonte: YUMPU
*[Imagem: Trecho de uma entrevista transcrita em revista destacando o uso de negrito nas perguntas e parênteses indicando risos do entrevistado]*

A Entrevista na Divulgação Científica

A reportagem de divulgação científica é um gênero voltado para disseminar descobertas do meio acadêmico para o público leigo. Para isso, ela utiliza fortemente as entrevistas com especialistas para conferir autoridade e credibilidade ao texto.

Nesse contexto, os cientistas entrevistados adaptam sua linguagem técnica para uma linguagem mais acessível, fazendo uso constante de metáforas e analogias. Veja como os conceitos biológicos e geográficos aparecem moldados pelo gênero entrevista:

Exemplo 1: Dinâmica Climática e Rios Voadores

Abaixo, simulamos um trecho de entrevista (semiestruturada) com um meteorologista:

Repórter da Revista: Como a umidade da Amazônia consegue chegar ao sul e sudeste do Brasil afetando nosso clima?

Meteorologista: Isso ocorre por meio do que apelidamos de "Rios Voadores". O processo começa com a evapotranspiração — as plantas da floresta liberam vapor de água. Os ventos empurram essa umidade para o oeste até ela esbarrar na Cordilheira dos Andes. Como essa cordilheira atua como uma barreira física monumental, o fluxo não consegue passar e é desviado para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul, precipitando como chuva pelo caminho.

Neste trecho, note como o especialista usa o presente do indicativo ("ocorre", "começa", "liberam") para descrever um fenômeno científico atemporal e usa o termo analógico "Rios Voadores" para facilitar a compreensão do leitor.

Exemplo 2: Biologia e as "Formigas-Zumbi"

Repórter da Revista: A expressão "formigas-zumbi" parece ter saído de um filme de ficção. Como essa infecção funciona na vida real?

Biólogo: (Risos) Realmente parece ficção! Mas ocorre pela infecção do inseto por fungos do gênero Ophiocordyceps. O fungo penetra o exoesqueleto de quitina da formiga. Lá dentro, ele produz metabólitos secundários que agem direto no sistema nervoso central da formiga. Ela fica completamente desorientada, prende-se a uma folha e morre. Depois, o fungo esgota os nutrientes dela e libera novos esporos para reiniciar o ciclo.

Exemplo 3: A Ética da Clonagem

Repórter da Revista: Desde a ovelha Dolly, em 1996, o que mudou na ciência em relação à clonagem?

Geneticista: A Dolly foi um marco, pois foi o primeiro mamífero clonado via transferência nuclear de uma célula somática adulta. Hoje, a grande discussão não é apenas técnica, mas ética. No Brasil, por exemplo, a legislação permite clonagem de animais de interesse zootécnico (como bovinos de elite), mas proíbe estritamente a clonagem humana ou de espécies silvestres sem forte autorização governamental.

Novos Formatos: Podcasts e Vlogs Científicos

A entrevista migrou fortemente para as plataformas digitais [1]. Hoje, temos os Podcasts Científicos e Vlogs, gêneros audiovisuais onde a entrevista perde a rigidez dos jornais tradicionais e assume um tom muito mais informal. Nesses canais, pesquisadores conversam por horas em estúdios de gravação, desmistificando a ciência de forma envolvente e com altíssima presença de marcas de oralidade, gírias e interação direta com o público (o chamado chat).

Apresentador de podcast entrevistando um cientista com microfones de estúdio, representando os novos formatos digitais de entrevista
Fonte: YouTube
*[Imagem: Apresentador de podcast entrevistando um cientista com microfones de estúdio, representando os novos formatos digitais de entrevista]*

Mnemônicos e Dicas

Para memorizar a estrutura obrigatória de uma entrevista clássica, lembre-se do acrônimo T.A.P.A.:

  • Título (com frase chamativa/aspeada)
  • Apresentação (contexto e biografia do entrevistado)
  • Perguntas (e roteiro)
  • Alternância de turnos (entrevistador pergunta, entrevistado responde)

Dica de Leitura para o ENEM: Quando cair uma entrevista na prova, não leia apenas pelo conteúdo. Observe como o texto foi construído. Quem domina a fala? A linguagem é culta ou coloquial? O tema exigiu que o entrevistado explicasse algum jargão?

Como Cai no ENEM

O ENEM adora textos de base jornalística. Quando a entrevista aparece na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, as questões geralmente NÃO pedem para você interpretar apenas a opinião do entrevistado, mas sim focar na estrutura do gênero.

Os padrões de cobrança incluem [2]:

  1. Identificação dos turnos de fala: A prova costuma perguntar o que caracteriza o texto lido como uma entrevista. A resposta quase sempre gravita em torno da "organização em turnos de fala reproduzindo o diálogo entre interlocutores".
  2. Marcas de oralidade e hesitação: O ENEM frequentemente destaca um trecho onde há reticências ou repetição de palavras e pergunta qual o objetivo daquele recurso (geralmente, a resposta é "reproduzir as características da língua falada no texto escrito").
  3. Adequação linguística: Analisar se o entrevistado usou uma linguagem formal (adequada para falar de uma pesquisa séria) ou informal (se for um papo sobre entretenimento).

Pegadinha Comum: Alternativas que dizem que a entrevista escrita "elimina totalmente a oralidade" ou que "segue estritamente as regras da gramática normativa". Isso é falso! A transcrição tenta ser fiel ao que foi dito, inclusive mantendo certos desvios gramaticais para manter a naturalidade e a voz do entrevistado.

Principais Dúvidas

Resumo Completo

A entrevista é um gênero discursivo essencialmente dialógico que promove a interação entre um entrevistador e um entrevistado. Sua principal missão social é informar e promover debates, trazendo o discurso da fala (oralidade) para o texto escrito (ou audiovisual).

  • Estrutura Básica:
    • Título chamativo (geralmente com fala aspeada).
    • Apresentação / Contextualização (o "gatilho" da conversa e quem é a pessoa).
    • Corpo em formato de Pergunta e Resposta (Q&A).
  • Características Discursivas:
    • Presença forte de discurso direto e primeira pessoa ("eu").
    • Alternância de turnos de fala (jogo de fazer e responder perguntas).
    • Uso de recursos gráficos para transcrever a oralidade: parênteses (risos), travessões, reticências.
  • Na Divulgação Científica:
    • É a ponte entre a linguagem técnica (acadêmica) e a linguagem acessível (público leigo).
    • Especialistas usam metáforas (ex: "rios voadores", "formigas-zumbi") para explicar fenômenos.
    • Podcasts e vlogs são os grandes formatos atuais.
  • Checklist para o ENEM:
    • Reconhecer a estrutura de turnos de fala.
    • Identificar marcas de oralidade na escrita.
    • Entender o nível de formalidade e a intenção comunicativa dos interlocutores.

Referências

  • [1] HOFFNAGEL, J. C. A entrevista como gênero discursivo. In: Gêneros Textuais e Ensino. (Adaptado de base teórica sobre interacionismo sociodiscursivo).
  • [2] Plataforma Assaad. Análise da Questão 117, ENEM 2014 PPL - Estrutura típica do gênero entrevista e marcas formais. Disponível em análise de questões do exame.
  • Toda Matéria. Gênero Textual Entrevista - Características e Estrutura. Disponível em: Toda Matéria
  • Brasil Escola. Enem: lista de exercícios sobre gêneros textuais. Disponível em: Brasil Escola / UOL
  • Educa Mais Brasil. Entrevista - Língua Portuguesa Enem. Disponível em: Educa Mais Brasil

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