Questão 59 do ENEM 2018Ciências Humanas

ENEM 2018Ciências Humanas2ª aplicação

A antiga Cidade Livre foi idealizada por Bernardo Sayão, em 1956, para ser um centro comercial e recreativo para os trabalhadores de Brasília. Ganhou esse nome porque lá era permitido não só residir como também negociar, com isenção de tributação. A perspectiva era de que a cidade desaparecesse com a inauguração de Brasília. Com isso, os lotes não foram vendidos, mas emprestados em forma de comodato àqueles interessados em estabelecer residência ou comércio. A partir de 1960, os contratos de comodato foram cancelados e os comerciantes, transferidos para a Asa Norte. Os terrenos desocupados foram invadidos por famílias de baixa renda. Em 1961, o governo, pressionado pelo movimento popular, cria oficialmente a cidade com o nome de Núcleo Bandeirante.

CARDOSO, H. H. P. Narrativas de um candango em Brasília. Revista Brasileira de História, n. 47, 2004 (adaptado).

Essa dinâmica expõe uma forma de desigualdade social comum nas cidades brasileiras associada à dificuldade de ter acesso
A
às áreas com lazer gratuito.
ao mercado imobiliário formal.
Resposta correta
C
ao transporte público eficiente.
D
aos reservatórios com água potável.
E
ao emprego com carteira assinada.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar atentamente o texto de apoio e identificar qual problema urbano estrutural ele descreve.

O texto relata a história da Cidade Livre (atual Núcleo Bandeirante), que foi inicialmente planejada para ser um assentamento provisório durante a construção de Brasília. Os lotes de terra não foram vendidos, mas emprestados (em regime de comodato). Quando Brasília foi inaugurada, o governo tentou desativar a Cidade Livre, transferindo os comerciantes e cancelando os empréstimos das terras. No entanto, o que aconteceu em seguida é o ponto central da questão: os terrenos desocupados foram invadidos por famílias de baixa renda, que posteriormente pressionaram o governo até conseguirem a regularização do local.

Essa dinâmica de ocupação irregular (invasão de terras) é um fenômeno muito comum nas cidades brasileiras. Ela ocorre fundamentalmente porque as populações de baixa renda não possuem recursos financeiros para adquirir ou alugar moradias pelos meios legais e tradicionais. Em outras palavras, essas famílias são excluídas do mercado imobiliário formal, que engloba a compra, venda e locação de imóveis com toda a documentação e infraestrutura regularizadas.

Vamos analisar as alternativas para confirmar nosso raciocínio:

  • A) às áreas com lazer gratuito: Embora o lazer seja um direito, a invasão de lotes descrita no texto tem como objetivo principal garantir o direito à moradia, e não ao lazer.
  • B) ao mercado imobiliário formal: Correta. A ocupação irregular (invasão) é a alternativa encontrada por populações marginalizadas que não conseguem arcar com os custos da moradia legalizada.
  • C) ao transporte público eficiente: O texto não aborda a mobilidade urbana ou a distância entre a moradia e o trabalho como o fator gerador da invasão dos lotes.
  • D) aos reservatórios com água potável: A falta de saneamento básico é uma consequência comum das ocupações irregulares, mas não é a causa direta da dinâmica de invasão de terras descrita.
  • E) ao emprego com carteira assinada: A informalidade no mercado de trabalho de fato reduz a renda das famílias, o que contribui para o problema. No entanto, a dinâmica espacial descrita (invasão de lotes e posterior regularização) está diretamente associada à exclusão do mercado de terras e imóveis.

Portanto, o texto expõe claramente a desigualdade no acesso à terra urbanizada e regularizada.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2018 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.