Questão 63 do ENEM 2016Ciências da Natureza

ENEM 2016Ciências da Natureza3ª aplicação

A Caatinga é um ecossistema que se encontra nos lados equatoriais dos desertos quentes, com índices pluviométricos muito baixos. Chove pouco no inverno e as chuvas, quando ocorrem, acontecem no verão. Apresenta plantas semelhantes às das regiões de deserto quente, do tipo xerófitas, como as cactáceas, com adaptações às condições de escassez de água.

SADAVA, D. et al. Vida: a ciência da biologia. Porto Alegre: Artmed, 2009 (adaptado).

Uma característica que permite a sobrevivência dessas plantas, na condição da escassez citada, é a presença de
A
caule subterrâneo.
B
sistema radicular fasciculado.
folhas modificadas em espinhos.
Resposta correta
D
parênquima amilífero desenvolvido.
E
limbo foliar desprovido de estômatos.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão aborda as adaptações evolutivas das plantas xerófitas, como as cactáceas, para sobreviverem em ambientes com severa escassez de água, como é o caso da Caatinga.

Para entender a resposta, precisamos lembrar como as plantas perdem água. A maior parte da perda de água em uma planta ocorre através da transpiração, um processo que acontece principalmente nas folhas, mais especificamente através de pequenas aberturas chamadas estômatos. Em um ambiente onde a água é um recurso muito escasso, perder água para o ambiente pode ser fatal.

Para contornar esse problema, as cactáceas passaram por um processo evolutivo onde suas folhas foram modificadas em espinhos. Essa adaptação traz duas grandes vantagens para a sobrevivência no clima semiárido:

  1. Redução drástica da transpiração: Como os espinhos têm uma área de superfície muito menor do que uma folha comum e não possuem estômatos, a perda de água por transpiração é minimizada.
  2. Proteção: Os espinhos protegem a planta contra animais herbívoros que poderiam tentar comê-la em busca da água armazenada em seu interior.

Como as folhas viraram espinhos, a função de realizar a fotossíntese foi transferida para o caule (geralmente verde e suculento, chamado de cladódio), que também possui um tecido especializado em armazenar água, o parênquima aquífero.

Vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:

  • A) caule subterrâneo: É uma adaptação mais comum em plantas do Cerrado, servindo para proteger as gemas de crescimento contra o fogo, e não a principal adaptação das cactáceas para a falta de água.
  • B) sistema radicular fasciculado: É característico de plantas monocotiledôneas (como as gramíneas). As cactáceas costumam ter raízes superficiais e muito espalhadas para absorver rapidamente qualquer chuva rala, mas a modificação foliar é a característica mais marcante para evitar a perda de água.
  • D) parênquima amilífero desenvolvido: O parênquima amilífero armazena amido (reserva energética). Nas cactáceas, o parênquima superdesenvolvido é o aquífero, que armazena água.
  • E) limbo foliar desprovido de estômatos: Se uma planta não tivesse estômatos, ela não conseguiria captar o gás carbônico (CO2CO_2) necessário para a fotossíntese. Plantas xerófitas possuem estômatos (geralmente no caule), mas eles costumam abrir apenas à noite (metabolismo CAM) para evitar a perda de água sob o sol forte.

Portanto, a característica fundamental citada que permite a sobrevivência dessas plantas na escassez de água é a modificação das folhas em espinhos.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.