Questão 28 do ENEM 2011Ciências Humanas

ENEM 2011Ciências Humanas2ª aplicação

A confusão era grande e ficou ainda maior depois do discurso do presidente norte-americano Barack Obama em defesa da guerra, ao receber o Prêmio Nobel da Paz de 2009. Como liberal, Obama poderia ter utilizado os argumentos do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), que também defendeu, na sua época, a legitimidade das guerras como meio de difusão da civilização européia.

FIORI, J. L. A moral internacional e o poder. Revista CULT. Nº 145.
São Paulo: Bregantini, abr. 2010.

O argumento utilizado por Barack Obama ao defender a guerra em nome da paz constitui um tipo de raciocínio
A
indutivo.
B
dedutivo.
paradoxal.
Resposta correta
D
metafórico.
E
analógico.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar a estrutura do argumento apresentado no texto. O enunciado destaca uma situação bastante curiosa: o presidente Barack Obama, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, faz um discurso em defesa da guerra. O comando da questão nos pede para classificar o tipo de raciocínio que sustenta a ideia de "defender a guerra em nome da paz".

Vamos analisar o significado dessa construção. A guerra é, por definição, um estado de conflito armado, violência e destruição. A paz, por outro lado, é a ausência de violência, um estado de harmonia e tranquilidade. Quando alguém argumenta que é necessário promover a guerra (violência) para se alcançar a paz (não violência), está unindo dois conceitos diametralmente opostos em uma mesma proposição.

Essa união de ideias que, à primeira vista, parecem incompatíveis e contraditórias, mas que carregam um sentido lógico dentro de um determinado contexto, é o que chamamos de paradoxo. O paradoxo é uma figura de pensamento que rompe com a lógica comum ao apresentar uma aparente contradição.

Para não restar dúvidas, vamos revisar rapidamente por que as outras alternativas estão incorretas:

  • Raciocínio indutivo: Parte de premissas particulares para chegar a uma conclusão geral. Não é o caso aqui, pois não há uma generalização a partir de casos específicos.
  • Raciocínio dedutivo: Parte de uma premissa geral para chegar a uma conclusão particular. Também não se aplica, pois o foco do texto não é uma dedução lógica formal.
  • Raciocínio metafórico: Baseia-se em comparações implícitas (ex: "ele é um leão"). A defesa da guerra não é uma comparação, mas uma proposta literal de ação.
  • Raciocínio analógico: Estabelece uma conclusão a partir da semelhança entre situações diferentes. O texto não constrói uma analogia para justificar a guerra.

Portanto, a defesa de um conflito armado como instrumento para a pacificação constitui um raciocínio paradoxal.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2011 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.