Questão 25 do ENEM 2022Linguagens

ENEM 2022Linguagens1ª aplicação

A conquista da medalha de prata por Rayssa Leal, no skate street nos Jogos Olímpicos, é exemplo da representatividade feminina no esporte, avalia a âncora do jornal da rede de televisão da CNN. A apresentadora, que também anda de skate, celebrou a vitória da brasileira, que entrou para a história como a atleta mais nova a subir num pódio defendendo o Brasil. “Essa representatividade do esporte nos Jogos faz pensarmos que não temos que ficar nos encaixando em nenhum lugar. Posso gostar de passar notícia e, mesmo assim, gostar de skate, subir montanha, mergulhar, andar de bike, fazer yoga”. Temos que parar de ficar enquadrando as pessoas dentro das regras. A gente vive num padrão no qual a menina ganha boneca, mas por que também não fazer um esporte de aventura? Por que o homem pode se machucar, cair de joelhos, e a menina tem que estar sempre lindinha dentro de um padrão? Acabamos limitando os talentos das pessoas”, afirmou a jornalista, sobre a prática do skate por mulheres.

Disponível em: www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 31 out. 2021 (adaptado).

O discurso da jornalista traz questionamentos sobre a relação da conquista da skatista com a
A
conciliação do jornalismo com a prática do skate.
B
inserção das mulheres na modalidade skate street.
desconstrução da noção do skate como modalidade masculina.
Resposta correta
D
vanguarda de ser a atleta mais jovem a subir no pódio olímpico
E
conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar o foco da argumentação construída pela jornalista no texto-base. O comando nos pede para identificar sobre o que recaem os questionamentos feitos por ela a partir da conquista da skatista Rayssa Leal.

Lendo o texto com atenção, percebemos que a jornalista utiliza a vitória de Rayssa como um ponto de partida para uma reflexão social muito mais profunda. Ela destaca frases como: “A gente vive num padrão no qual a menina ganha boneca, mas por que também não fazer um esporte de aventura?” e “Por que o homem pode se machucar, cair de joelhos, e a menina tem que estar sempre lindinha dentro de um padrão?”.

Essas perguntas retóricas têm um alvo claro: os estereótipos de gênero. Historicamente, a sociedade construiu a ideia de que esportes radicais, que envolvem risco e a possibilidade de se machucar, pertencem ao universo masculino, enquanto às meninas seriam reservados papéis associados à delicadeza e ao cuidado (simbolizados pela boneca e pela exigência de estar "lindinha").

Ao celebrar a vitória de uma menina no skate street, a jornalista está questionando e combatendo essas regras invisíveis que limitam os talentos das pessoas. Ou seja, ela está promovendo a quebra de um preconceito.

Vamos analisar as alternativas para encontrar a que melhor traduz essa ideia:

  • A) conciliação do jornalismo com a prática do skate. Incorreta. A jornalista menciona que anda de skate apenas para ilustrar, com um exemplo pessoal, que as mulheres não precisam se limitar a uma única "caixinha", mas esse não é o tema central do seu questionamento.
  • B) inserção das mulheres na modalidade skate street. Incorreta. A inserção das mulheres é o fato que gerou a notícia. No entanto, o discurso da jornalista vai além de apenas constatar essa inserção; ela problematiza o motivo pelo qual essa presença causa espanto, que é justamente o machismo estrutural.
  • C) desconstrução da noção do skate como modalidade masculina. Correta. O texto ataca diretamente a ideia de que existem "coisas de menino" e "coisas de menina". A conquista de Rayssa serve para desconstruir (ou seja, quebrar, desfazer) a noção de que o skate, por ser um esporte de aventura e risco, seria uma modalidade exclusiva para homens.
  • D) vanguarda de ser a atleta mais jovem a subir no pódio olímpico. Incorreta. Embora o texto cite que ela é a atleta mais nova a subir no pódio, a argumentação reflexiva da jornalista não gira em torno da idade (jovem vs. velho), mas sim da questão de gênero (menina vs. menino).
  • E) conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Incorreta. A medalha é o evento que motivou a fala da jornalista, mas os questionamentos que ela traz não são sobre a medalha em si, e sim sobre os padrões sociais que a vitória da atleta ajuda a derrubar.

Portanto, a reflexão central do texto é sobre como a conquista de Rayssa Leal ajuda a romper com a visão tradicional e machista do esporte.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.