Questão 127 do ENEM 2013 — Linguagens
Resolução comentada
Antes de olhar as alternativas, vale lembrar o que caracteriza a arte contemporânea: diferente da arte clássica ou moderna, que muitas vezes se concentrava na estética ou na inovação formal, a arte contemporânea costuma usar a performance e a instalação para provocar debates sociais, políticos e culturais, colocando o próprio corpo do artista e o contexto em jogo.
A imagem mostra o artista Paulo Nazareth diante de uma Kombi carregada de bananas, segurando um cartaz feito à mão. A legenda traduz a frase do cartaz: "Não me esqueçam quando eu for um nome importante". A referência da imagem indica a obra Mercado de Artes / Mercado de Bananas, apresentada na Miami Art Basel (EUA), uma das maiores feiras de arte do mundo.
Com esses elementos, é possível desmembrar as camadas que sustentam a proposta do artista:
- Identidade: ao inserir o próprio corpo no epicentro do mercado de arte global — um espaço historicamente elitizado — Nazareth questiona a visibilidade e a valorização do artista latino-americano e periférico. A ironia do cartaz ("Não me esqueçam quando eu for um nome importante") escancara essa reflexão sobre reconhecimento e mercado.
- Território: a Kombi remete a deslocamento, viagem e comércio informal, muito presentes na América Latina; as bananas dialogam com o estereótipo das "repúblicas de bananas". O contraste entre esses símbolos e o território onde a performance acontece (uma feira de luxo nos EUA) gera atrito crítico entre centro e periferia.
- Códigos de linguagem: o próprio título da obra faz um trocadilho entre "mercado de artes" e "mercado de bananas", comparando o refinado circuito da arte à venda de uma mercadoria barata e perecível. Somam-se a isso o cartaz manuscrito e a presença física do artista como suporte da mensagem.
A contemporaneidade da obra está, portanto, em cruzar essas múltiplas camadas de sentido, transformando uma cena aparentemente absurda em um discurso crítico potente.
Entre as alternativas, a C é a única que abarca essa complexidade: articula a identidade do artista, as questões de território (deslocamento, centro versus periferia) e os códigos de linguagem (o trocadilho, o cartaz, a ironia sobre o mercado).
As demais falham: a obra não resgata o modernismo mineiro (A); rompe com suportes tradicionais ao usar bananas e uma Kombi em vez de tela ou mármore (B); não busca imitar celebridades, mas criticar o sistema de validação do mercado (D); e não camufla sua composição visual, que é propositalmente crua e direta (E).
Ainda com dúvida nesta questão?
Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.
Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.