A crescente facilidade para aquisição de aerogeradores e painéis fotovoltaicos tem permitido que unidades consumidoras tenham suas próprias unidades microgeradoras de energia. A integração das unidades microgeradoras à rede pública de distribuição pode beneficiar tanto as unidades consumidoras quanto as concessionárias de fornecimento, conforme o fluxograma. Quando as unidades microgeradoras não geram energia suficiente para a unidade consumidora, a rede de distribuição supre a diferença. Quando a unidade microgeradora gera excedente de energia, esse excedente poderá ser entregue à concessionária em troca de crédito.
Questão 100 do ENEM 2023 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
Para entender a vantagem técnica que a microgeração traz para as concessionárias, vale lembrar como funciona o sistema tradicional de fornecimento de energia.
No modelo convencional, a eletricidade é gerada em grandes usinas (hidrelétricas, termelétricas ou grandes parques eólicos), quase sempre distantes dos centros consumidores. Para chegar até as casas, essa energia percorre longas linhas de transmissão, às vezes por centenas de quilômetros.
Durante esse trajeto, parte da energia é inevitavelmente dissipada na forma de calor por causa da resistência elétrica dos condutores — é o Efeito Joule. A potência dissipada () pode ser expressa por:
em que é a resistência dos cabos e é a corrente que os percorre. Quanto maior a distância percorrida, maior a resistência total e, portanto, maiores as perdas.
O enunciado descreve a microgeração: uma unidade consumidora com aerogeradores ou painéis fotovoltaicos gera parte da própria energia. Quando a microgeração não é suficiente, a rede de distribuição supre a diferença; quando há excedente, ele é entregue à concessionária em troca de crédito. Ou seja, boa parte da energia passa a ser produzida no próprio ponto de consumo (geração distribuída), e o excedente injetado na rede tende a ser aproveitado por consumidores próximos.
A vantagem técnica para a concessionária vem daí: como a energia deixa de precisar viajar longas distâncias desde uma usina remota, diminui o transporte de longa distância e, com ele, as perdas energéticas por Efeito Joule nas linhas de transmissão. Isso torna o sistema mais eficiente — o que corresponde à alternativa A.
Analisando as demais alternativas:
- B) sincronização de picos: os picos de produção (a solar, por exemplo, é máxima ao meio-dia) geralmente não coincidem com os picos de demanda da rede (tipicamente no início da noite), a menos que haja armazenamento ou gestão ativa. Não é uma consequência automática.
- C) diminuição da necessidade da rede pública: mesmo com muita microgeração, a rede continua tecnicamente necessária para estabilizar a tensão e fornecer energia quando o sol e o vento não produzem.
- D) uso de pequenas termoelétricas: o enunciado cita aerogeradores e painéis fotovoltaicos, não termoelétricas, cujo funcionamento e impactos são distintos.
- E) menor dependência de grandes parques eólicos: isso é uma questão estratégica ou ambiental; o comando pede a vantagem técnica operacional para a rede, que é a redução das perdas no transporte.
Portanto, a vantagem técnica é a redução das perdas energéticas provenientes do transporte de longa distância.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2023 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.
