Questão 44 do ENEM 2013Ciências Humanas

ENEM 2013Ciências Humanas1ª aplicação

A escravidão não há de ser suprimida no Brasil por uma guerra servil, muito menos por insurreições ou atentados locais. Não deve sê-lo, tampouco, por uma guerra civil, como o foi nos Estados Unidos. Ela poderia desaparecer, talvez, depois de uma revolução, como aconteceu na França, sendo essa revolução obra exclusiva da população livre. É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade.

NABUCO, J. O abolicionismo (1883). Rio de Janeiro: Nova Fronteira;
São Paulo: Publifolha, 2000 (adaptado).

No texto, Joaquim Nabuco defende um projeto político sobre como deveria ocorrer o fim da escravidão no Brasil, no qual
A
copiava o modelo haitiano de emancipação negra.
B
incentivava a conquista de alforrias por meio de ações judiciais..
optava pela via legalista de libertação.
Resposta correta
D
priorizava a negociação em torno das indenizações aos senhores.
E
antecipava a libertação paternalista dos cativos.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar com atenção o trecho da obra O abolicionismo, de Joaquim Nabuco, e compreender qual era a sua visão estratégica para o fim da escravidão no Brasil.

O texto nos dá pistas muito claras sobre o posicionamento do autor. Nabuco descarta explicitamente o uso da violência ou de rupturas drásticas para alcançar a abolição. Ele afirma que a escravidão não deveria acabar por meio de uma "guerra servil" (como ocorreu no Haiti), nem por "insurreições ou atentados locais", e tampouco por uma "guerra civil" (como nos Estados Unidos).

A chave para a resposta está na última frase do fragmento: "É no Parlamento e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade."

Ao defender que a abolição deveria ser decidida no Parlamento, Joaquim Nabuco está propondo que o fim da escravidão ocorresse por meio da criação e aprovação de leis. Ou seja, ele defendia uma transição pacífica, institucional e reformista, operando dentro das regras do Estado imperial brasileiro. Essa postura é o que chamamos de via legalista.

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A está incorreta porque o modelo haitiano foi marcado por uma violenta rebelião de escravizados (guerra servil), algo que Nabuco rejeita logo no início do texto.
  • A alternativa B fala em ações judiciais, mas o texto foca no Parlamento (Poder Legislativo), e não nos tribunais (Poder Judiciário).
  • A alternativa C é a correta, pois a "via legalista" resume perfeitamente a ideia de resolver a questão por meio de debates e aprovação de leis no Parlamento.
  • A alternativa D está incorreta porque o texto não aborda a questão de indenizações aos senhores de escravos.
  • A alternativa E também é incorreta, pois Nabuco não propõe uma concessão paternalista, mas sim uma conquista política e legislativa.

Portanto, o projeto político de Joaquim Nabuco priorizava a via institucional e legal para a libertação dos escravizados.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.