A fragmentação dos hábitats é caracterizada pela formação de ilhas da paisagem original, circundadas por áreas transformadas. Esse tipo de interferência no ambiente ameaça a biodiversidade. Imagine que uma população de onças foi isolada em uma mata pequena. Elas se extinguiriam mesmo sem terem sido abatidas. Diversos componentes da ilha de hábitat, como o tamanho, a heterogeneidade, o seu entorno, a sua conectividade e o efeito de borda são determinantes para a persistência ou não das espécies originais.
Questão 95 do ENEM 2020 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
O texto da questão descreve um dos maiores problemas ambientais da atualidade: a fragmentação de hábitats. Esse processo ocorre quando uma grande área natural contínua é dividida em pedaços menores, formando verdadeiras "ilhas" de vegetação cercadas por áreas modificadas pelo ser humano (como cidades, pastos, estradas ou plantações).
Quando isso acontece, as populações de animais e plantas ficam isoladas nessas ilhas. O texto cita o exemplo de uma população de onças. Mesmo que não sofram com a caça, elas correm sério risco de extinção. Isso ocorre porque, em um espaço reduzido, os recursos (como água, território e alimento) são limitados. Além disso, o isolamento impede o encontro com indivíduos de outras áreas, levando ao cruzamento entre parentes (endogamia), o que diminui a variabilidade genética e torna a população mais vulnerável a doenças e mudanças ambientais.
Para resolver esse problema, precisamos focar em um dos fatores determinantes mencionados no próprio texto: a conectividade. Se o grande problema é o isolamento, a solução lógica é reconectar essas ilhas.
É exatamente aí que entram os corredores ecológicos. Eles são faixas de vegetação preservada ou recuperada que ligam um fragmento florestal ao outro, funcionando como verdadeiras "pontes" seguras para a vida silvestre. Com os corredores, os animais podem transitar entre as ilhas em busca de alimento, abrigo e parceiros reprodutivos, garantindo o fluxo gênico e a sobrevivência das espécies a longo prazo.
Vamos analisar por que as outras alternativas não resolvem o problema:
- A) formação de micro-hábitats: Criar micro-hábitats não resolve o problema do isolamento geográfico e poderia até fragmentar ainda mais o ambiente internamente.
- B) ampliação do efeito de borda: O efeito de borda refere-se às alterações ambientais (como maior incidência de luz, vento, ressecamento e invasão de espécies exóticas) que ocorrem nos limites do fragmento. Ele é prejudicial para as espécies que vivem no interior da mata. Ampliá-lo seria piorar a situação.
- D) promoção da sucessão ecológica: A sucessão ecológica é o processo natural de desenvolvimento e recuperação de um ecossistema ao longo do tempo. Embora seja um processo importante na natureza, não é uma medida de intervenção direta que resolve o isolamento imediato entre fragmentos já separados.
- E) introdução de novas espécies de animais e vegetais: Introduzir novas espécies (espécies exóticas) é uma prática extremamente perigosa, pois elas podem competir com as espécies nativas, predá-las ou trazer novas doenças, causando um desequilíbrio ecológico ainda maior.
Portanto, a medida mais eficaz e direta para mitigar os efeitos do isolamento nas ilhas de hábitat é a construção de corredores ecológicos.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.