A história evolutiva do grupo ao qual pertence a planta comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.) remonta seu estabelecimento há aproximadamente 40 milhões de anos. Essas plantas podem produzir intoxicações sérias em adultos e morte de crianças e animais domésticos, pois em seus tecidos apresentam células que contêm “pequenas agulhas” de oxalato de cálcio, chamadas de ráfides, liberadas quando as células são de alguma forma danificadas.
Questão 97 do ENEM 2025 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
A questão aborda o conceito de evolução e adaptação, especificamente sobre o desenvolvimento de mecanismos de defesa em plantas.
Primeiro, vamos analisar a função das ráfides de oxalato de cálcio. O texto nos diz que essas "pequenas agulhas" são liberadas quando as células da planta são danificadas. Na natureza, o dano celular em folhas e caules ocorre principalmente quando a planta está sendo mastigada ou consumida por um animal. Portanto, as ráfides atuam como um mecanismo de defesa contra a herbivoria.
Agora, precisamos olhar para a linha do tempo evolutiva fornecida no enunciado: o estabelecimento desse grupo de plantas ocorreu há aproximadamente milhões de anos.
Com essa informação de tempo, podemos descartar algumas alternativas:
- Seres humanos (E) e animais domésticos (B) não existiam há milhões de anos. A linhagem humana é muito mais recente (surgindo há poucos milhões de anos), e a domesticação de animais ocorreu há apenas alguns milhares de anos. Logo, eles não poderiam ter exercido a pressão seletiva original para o surgimento dessa característica.
- Alterações na temperatura (A) e alterações no solo (D) são fatores abióticos. Embora exerçam forte pressão seletiva, eles geralmente selecionam adaptações fisiológicas ou morfológicas relacionadas à conservação de água, tolerância ao frio ou captação de nutrientes, e não a produção de agulhas tóxicas liberadas por dano mecânico.
Restam os insetos herbívoros (C). Insetos e outros animais herbívoros silvestres já existiam e coevoluíam com as plantas há dezenas de milhões de anos. A constante predação (herbivoria) exercida por esses animais funcionou como uma forte pressão seletiva. Plantas que possuíam mutações gerando defesas químicas ou mecânicas (como as ráfides) tinham maior chance de sobreviver e se reproduzir, passando essa característica vantajosa para as próximas gerações.
Portanto, a hipótese mais aceita e coerente com o tempo evolutivo e a função da estrutura é a pressão exercida por insetos herbívoros.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.