Questão 13 do ENEM 2014Ciências Humanas

ENEM 2014Ciências Humanas2ª aplicação

A introdução da organização científica taylorista do trabalho e sua fusão com o fordismo acabaram por representar a forma mais avançada da racionalização capitalista do processo de trabalho ao longo de várias décadas do século XX.

ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009 (adaptado).

O objetivo desse modelo de organização do trabalho é o alcance da eficiência máxima no processo produtivo industrial que, para tanto,
A
adota estruturas de produção horizontalizadas, privilegiando as terceirizações.
B
requer trabalhadores qualificados, polivalentes e aptos para as oscilações da demanda.
C
procede à produção em pequena escala, mantendo os estoques baixos e a demanda crescente.
decompõe a produção em tarefas fragmentadas e repetitivas, complementares na construção do produto.
Resposta correta
E
outorga aos trabalhadores a extensão da jornada de trabalho para que eles definam o ritmo de execução de suas tarefas.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolvermos essa questão, precisamos relembrar as características fundamentais dos modelos de produção industrial que dominaram grande parte do século XXXX: o Taylorismo e o Fordismo.

O texto-base menciona a fusão da organização científica taylorista com o fordismo. O objetivo central dessa união era maximizar a eficiência e o lucro na produção industrial. Mas como eles faziam isso na prática?

O Taylorismo, idealizado por Frederick Taylor, introduziu a "administração científica" do trabalho. Isso significava separar rigorosamente o trabalho intelectual (quem pensa e planeja) do trabalho manual (quem executa). Além disso, Taylor propôs a cronometragem e a divisão do trabalho em tarefas extremamente simples.

O Fordismo, criado por Henry Ford, absorveu essas ideias e adicionou a linha de montagem. Em vez de o trabalhador se mover até o produto, o produto se movia até o trabalhador por meio de esteiras.

A consequência direta dessa fusão foi a extrema especialização do operário. O trabalhador não precisava mais conhecer todo o processo de fabricação de um carro, por exemplo. Ele ficava responsável por uma única tarefa, como apertar um parafuso específico, repetindo esse mesmo movimento centenas de vezes ao longo de sua jornada. Essa é a essência da fragmentação do trabalho.

Analisando as alternativas:

  • As alternativas A, B e C descrevem características do Toyotismo (modelo flexível que ganhou força a partir da década de 19701970), que foca em terceirização, trabalhador polivalente (que sabe operar várias máquinas e se adapta a diferentes funções) e produção sob demanda (estoque baixo ou just-in-time).
  • A alternativa E está incorreta porque, no modelo fordista, o ritmo de trabalho é ditado pela velocidade da esteira (pela máquina), e não pelo trabalhador. O operário perde totalmente o controle sobre o tempo e o ritmo da produção.
  • A alternativa D é a correta, pois descreve perfeitamente a lógica taylorista-fordista: a produção é decomposta em tarefas fragmentadas e repetitivas, onde cada operário faz uma pequena parte que, somada às outras, resulta no produto final.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.