Questão 79 do ENEM 2016Ciências Humanas

ENEM 2016Ciências Humanas1ª aplicação

A linhagem dos primeiros críticos ambientais brasileiros não praticou o elogio laudatório da beleza e da grandeza do meio natural brasileiro. O meio natural foi elogiado por sua riqueza e potencial econômico, sendo sua destruição interpretada como um signo de atraso, ignorância e falta de cuidado.

PADUA, J. A. Um sopro de destruição: pensamento político e crítica ambiental no Brasil escravista (1786-1888). Rio de Janeiro:Zahar, 2002 (adaptado).

Descrevendo a posição dos críticos ambientais brasileiros dos séculos XVIII e XIX, o autor demonstra que, via de regra, eles viam o meio natural como
ferramenta essencial para o avanço da nação.
Resposta correta
B
dádiva divina para o desenvolvimento industrial.
C
paisagem privilegiada para a valorização fundiária.
D
limitação topográfica para a promoção da urbanização.
E
obstáculo climático para o estabelecimento da civilização.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

O texto do historiador José Augusto Pádua aborda a visão dos primeiros críticos ambientais no Brasil, situados entre os séculos XVIII e XIX (período que o autor delimita entre os anos de 17861786 e 18881888). Para resolvermos a questão, precisamos focar em como o fragmento descreve a relação desses pensadores com a natureza.

Segundo o enunciado, esses críticos não exaltavam a natureza de forma romântica, apenas por sua beleza ou grandiosidade (o que o texto chama de "elogio laudatório"). Pelo contrário, a visão era pragmática: o meio natural era valorizado por sua riqueza e potencial econômico. Além disso, a destruição desse meio era interpretada como um sinal de "atraso, ignorância e falta de cuidado".

Isso significa que, para esses intelectuais, a natureza não era um santuário intocável, mas sim um recurso fundamental que deveria ser administrado e explorado de forma racional para garantir o progresso do Brasil. Destruir a natureza de forma irracional seria o mesmo que sabotar o futuro econômico do país.

Vamos analisar as alternativas com base nessa interpretação:

  • A) ferramenta essencial para o avanço da nação. Correta. Como a natureza era vista pelo seu potencial econômico e sua destruição representava o atraso, conclui-se que ela era considerada um instrumento (ferramenta) necessário para o progresso (avanço) do Brasil.
  • B) dádiva divina para o desenvolvimento industrial. Incorreta. O texto não traz justificativas religiosas ("dádiva divina"). Além disso, nos séculos XVIII e XIX, o Brasil tinha uma economia essencialmente agrária e escravista, não havendo um projeto de "desenvolvimento industrial" consolidado que pautasse essa crítica ambiental.
  • C) paisagem privilegiada para a valorização fundiária. Incorreta. A preocupação central dos críticos citados não era a especulação imobiliária ou o valor de mercado das terras em si, mas a capacidade produtiva e a riqueza econômica da natureza como um todo.
  • D) limitação topográfica para a promoção da urbanização. Incorreta. O texto não apresenta a natureza como um obstáculo físico (topográfico) à construção de cidades, mas sim como uma fonte de riqueza.
  • E) obstáculo climático para o estabelecimento da civilização. Incorreta. A natureza era vista como um motor para a economia, e não como um problema climático que impedia a civilização. O atraso residia na destruição irracional da natureza, e não na sua existência.

Portanto, a visão predominante era a de que os recursos naturais eram a base para o desenvolvimento do país.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.