Questão 26 do ENEM 2020Linguagens

ENEM 2020LinguagensDigital

A masculinidade, assim como a feminilidade, é uma construção histórica e cultural. Em nossa cultura, a dança caracteriza-se, no sentido geral, como um universo predominantemente feminino. Homens que dançam são geralmente considerados homossexuais, por não se enquadrarem dentro das normas culturais hegemônicas de gênero e sexualidade. Por outro lado, demonstram a não existência de um único tipo de masculinidade, enfatizando que as identidades humanas são múltiplas e plurais. No contexto da dança, as representações hegemônicas de gênero e as regulações sociais que essas impõem não se manifestam de forma igual em todas as modalidades de dança. Persiste essa forte representação cultural ocidental que associa o balé à feminilidade e à homossexualidade. Em outras danças, ela não se revela tão forte, e os homens não aparecem em menor número, como nas tradicionais danças folclóricas ou no moderno hip hop.

ANDREOLI, G. S. Representações de masculinidade na dança contemporânea. Movimento, n. 1, 2011 (adaptado).

No que tange à identidade de gênero masculina, a dança e suas modalidades expressam o(a)
A
padronização da inserção dos homens nessas manifestações corporais.
B
identificação de como essas práticas regulam uma única masculinidade.
reconhecimento das diferentes masculinidades
Resposta correta
D
contestação das normas sociais pelo balé.
E
reforço de uma feminilidade hegemônica.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos focar na interpretação do texto de apoio e entender qual é a tese central do autor sobre a relação entre os homens e a dança.

O texto começa apresentando um estereótipo muito comum em nossa sociedade: a ideia de que a dança é um universo predominantemente feminino. Por conta dessa visão, homens que dançam acabam sendo estigmatizados, pois fogem do padrão da masculinidade hegemônica (aquela considerada a "norma" pela sociedade).

No entanto, o ponto de virada do texto ocorre quando o autor utiliza a expressão "Por outro lado". Ele argumenta que a presença de homens na dança demonstra exatamente o oposto do estereótipo: prova a "não existência de um único tipo de masculinidade, enfatizando que as identidades humanas são múltiplas e plurais".

Para comprovar essa ideia, o autor compara diferentes modalidades de dança. Ele mostra que, enquanto no balé clássico o preconceito e a associação com a feminilidade ainda são muito fortes, em outras modalidades, como as danças folclóricas e o moderno hip hop, a presença masculina é naturalizada e não sofre o mesmo tipo de julgamento.

Vamos analisar as alternativas com base nessa interpretação:

  • A) padronização da inserção dos homens nessas manifestações corporais. Incorreta. O texto mostra justamente que não há um padrão. A forma como o homem é visto varia drasticamente dependendo do estilo de dança (balé versus hip hop).
  • B) identificação de como essas práticas regulam uma única masculinidade. Incorreta. Essa alternativa é uma armadilha. Ela descreve o estereótipo inicial combatido pelo texto, e não a conclusão do autor, que defende a inexistência de uma masculinidade única.
  • C) reconhecimento das diferentes masculinidades. Correta. A comparação entre as diferentes modalidades de dança serve para ilustrar que existem várias formas de expressar e vivenciar a masculinidade, confirmando que as identidades de gênero são plurais.
  • D) contestação das normas sociais pelo balé. Incorreta. Segundo o texto, o balé é o espaço onde as normas sociais e os estereótipos de gênero ainda persistem com mais força, e não o agente que as contesta.
  • E) reforço de uma feminilidade hegemônica. Incorreta. O foco central da discussão do texto é a identidade de gênero masculina e suas pluralidades, não a feminilidade.

Portanto, a alternativa correta é a C.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.