Questão 81 do ENEM 2019Ciências Humanas

ENEM 2019Ciências Humanas1ª aplicação

A partir da segunda metade do século XVII, o número de escravos recém-chegados cresce no Rio e se estabiliza na Bahia. Nenhum lugar servia tão bem à recepção de escravos quanto o Rio de Janeiro.

FRANÇA, R. O tamanho real da escravidão. O Globo, 5 abr. 2015 (adaptado).

Na matéria, o jornalista informa uma mudança na dinâmica do tráfico atlântico que está relacionada à seguinte atividade:
A
Coleta de drogas do sertão.
Extração de metais preciosos.
Resposta correta
C
Adoção da pecuária extensiva.
D
Retirada de madeira do litoral.
E
Exploração da lavoura de tabaco.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para compreender a mudança na dinâmica do tráfico atlântico descrita no texto, precisamos nos situar no tempo e no espaço do Brasil Colônia, observando o deslocamento do eixo econômico que ocorreu no século XVIII.

O Deslocamento do Eixo Econômico

Durante os séculos XVI e XVII, o Nordeste brasileiro, especialmente a Bahia e Pernambuco, era o centro econômico da colônia devido ao Ciclo do Açúcar. Por isso, os portos de Salvador e Recife eram os principais destinos dos navios negreiros, que traziam a mão de obra escravizada para trabalhar nas grandes lavouras de cana-de-açúcar.

No entanto, no final do século XVII e ao longo do século XVIII, ocorreu a descoberta de grandes jazidas de ouro e diamantes na região que hoje conhecemos como Minas Gerais, além de Goiás e Mato Grosso. Esse evento deu início ao Ciclo do Ouro.

A Conexão com o Rio de Janeiro

A mineração exigia uma quantidade colossal de mão de obra para escavar, garimpar e transportar os minérios. Como a região das minas ficava no interior do Sudeste, o porto mais estratégico e próximo para o desembarque de pessoas escravizadas, ferramentas e suprimentos era o do Rio de Janeiro (especialmente após a abertura do Caminho Novo, que ligava o porto diretamente às minas).

É por isso que o texto relata que o número de escravizados recém-chegados cresce vertiginosamente no Rio de Janeiro. A demanda por braços na extração de metais preciosos transformou a cidade na principal porta de entrada do tráfico negreiro na época, a ponto de a capital da colônia ser transferida de Salvador para o Rio de Janeiro em 17631763.

Enquanto isso, a Bahia viu seu fluxo se estabilizar: o açúcar havia entrado em declínio relativo devido à concorrência das Antilhas, mas a economia local continuava ativa, sustentada também pela lavoura de tabaco (fumo de rolo), que era inclusive usado como moeda de troca na África para a compra de escravizados.

Analisando as Alternativas

  • A) Coleta de drogas do sertão: Incorreta. Essa atividade ocorria na região amazônica (Grão-Pará) e utilizava predominantemente a mão de obra indígena.
  • B) Extração de metais preciosos: Correta. A mineração no Sudeste foi o motor econômico que puxou o fluxo do tráfico negreiro para o porto do Rio de Janeiro no século XVIII.
  • C) Adoção da pecuária extensiva: Incorreta. A pecuária, desenvolvida no sertão nordestino e no sul, exigia pouca mão de obra (um vaqueiro cuidava de um grande rebanho), não justificando um aumento massivo no tráfico de escravizados.
  • D) Retirada de madeira do litoral: Incorreta. A extração do pau-brasil foi a principal atividade apenas no período pré-colonial (15001500 a 15301530).
  • E) Exploração da lavoura de tabaco: Incorreta. O tabaco era cultivado principalmente no Recôncavo Baiano. Ele explica a manutenção (estabilização) do tráfico na Bahia, mas não o crescimento explosivo no Rio de Janeiro.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2019 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.