Questão 3 do ENEM 2015Ciências Humanas

ENEM 2015Ciências Humanas2ª aplicação

A população negra teve que enfrentar sozinha o desafio da ascensão social, e frequentemente procurou fazê-lo por rotas originais, como o esporte, a música e a dança. Esporte, sobretudo o futebol, música, sobretudo o samba, e dança, sobretudo o carnaval, foram os principais canais de ascensão social dos negros até recentemente. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis, mas negada na prática. Ainda hoje, apesar das leis, aos privilégios e arrogâncias de poucos correspondem o desfavorecimento e a humilhação de muitos.

CARVALHO, J. M. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 (adaptado).

Em relação ao argumento de que no Brasil existe uma democracia racial, o autor demonstra que:
A
essa ideologia equipara a nação a outros países modernos.
B
O esse modelo de democracia foi possibilitado pela miscigenação.
C
O essa peculiaridade nacional garantiu mobilidade social aos negros.
O esse mito camuflou formas de exclusão em relação aos afrodescendentes.
Resposta correta
E
O essa dinâmica política depende da participação ativa de todas as etnias.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos interpretar o texto de José Murilo de Carvalho e conectá-lo ao debate sociológico sobre a formação da sociedade brasileira, especificamente no que diz respeito à população negra.

O texto mostra uma realidade dura: a abolição da escravidão não trouxe igualdade real. A igualdade ficou apenas no papel (nas leis), enquanto na prática a população negra foi deixada à própria sorte. Para conseguir alguma ascensão social, os negros tiveram que recorrer a caminhos específicos, como o esporte (futebol) e a cultura (samba e carnaval). O autor conclui que, ainda hoje, existe um abismo entre os privilégios de poucos e a humilhação de muitos.

Na Sociologia brasileira, há um conceito muito debatido chamado democracia racial. Essa ideia sugere que o Brasil seria um país onde as diferentes raças convivem em harmonia, sem preconceito e com igualdade de oportunidades. Porém, pensadores críticos, e o próprio texto da questão, mostram que essa "democracia" é, na verdade, um mito.

O perigo desse mito é que ele cria uma falsa sensação de que está tudo bem, dificultando o combate ao racismo. Ou seja, a ideia de que vivemos em uma democracia racial serve para camuflar (esconder) o racismo estrutural e as diversas formas de exclusão que os afrodescendentes enfrentam.

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A foge do tema, pois o texto não faz comparações com outros países modernos.
  • A alternativa B erra ao tratar a democracia racial como um modelo real possibilitado pela miscigenação, quando o texto a trata como uma falácia (tese associada a Gilberto Freyre, não à leitura crítica de Carvalho).
  • A alternativa C é incorreta porque a mobilidade social não foi "garantida" por uma peculiaridade nacional; foi conquistada a duras penas em áreas muito restritas, e os negros enfrentaram o desafio "sozinhos".
  • A alternativa D é a correta. Traduz exatamente a crítica do texto: o argumento de que existe uma democracia racial no Brasil é um mito que apenas esconde a exclusão sofrida pelos afrodescendentes.
  • A alternativa E não tem relação com o texto, que não discute a participação política ativa de todas as etnias.

Portanto, a resposta correta é a alternativa D.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.