A quem não basta pouco, nada basta.
EPICURO. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1985.
Para compreender a máxima de Epicuro, precisamos primeiro desmistificar uma ideia muito comum sobre a sua filosofia. Quando ouvimos falar em "epicurismo", muitas vezes pensamos na busca desenfreada pelo prazer. No entanto, a ética epicurista, desenvolvida no período helenístico, propõe exatamente o oposto: uma vida de moderação e simplicidade.
Epicuro defendia que o objetivo da vida é a felicidade, alcançada por meio da ausência de dor física (aponia) e da tranquilidade da alma (ataraxia). Para atingir esse estado de paz, o filósofo argumentava que devemos administrar nossos desejos de forma inteligente. Ele dividia os desejos em três categorias:
A frase "A quem não basta pouco, nada basta" reflete perfeitamente essa visão. Epicuro nos ensina que, se não formos capazes de nos satisfazer com o básico (os desejos naturais e necessários, que representam o "pouco"), entraremos em um ciclo infinito de insatisfação, buscando sempre mais e nunca alcançando a verdadeira paz.
Analisando as virtudes apresentadas nas alternativas, a que melhor se alinha a esse domínio sobre os próprios desejos e apetites é a temperança. A temperança é a virtude da moderação, do autocontrole e do equilíbrio. É ela que nos permite frear a vontade de buscar excessos e nos ensina a encontrar a plenitude na simplicidade.
Portanto, a máxima valoriza a temperança, marcada pelo domínio da vontade sobre os desejos ilimitados.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2018 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.