Questão 42 do ENEM 2015Ciências Humanas

ENEM 2015Ciências Humanas2ª aplicação

A utilidade do escravo é semelhante à do animal. Ambos prestam serviços corporais para atender às necessidades da vida. A natureza faz o corpo do escravo e do homem livre de forma diferente. O escravo tem corpo forte, adaptado naturalmente ao trabalho servil. Já o homem livre tem corpo ereto, inadequado ao trabalho braçal, porém apto à vida do cidadão.

ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.

O trabalho braçal é considerado, na filosofia aristotélica, como:
A
indicador da imagem do homem no estado de natureza.
B
condição necessária para a realização da virtude humana.
atividade que exige força física e uso limitado da racionalidade.
Resposta correta
D
referencial que o homem deve seguir para viver uma vida ativa.
E
mecanismo de aperfeiçoamento do trabalho por meio da experiência.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar o trecho da obra Política de Aristóteles e compreender a visão da Antiguidade Clássica sobre o trabalho e a escravidão. No texto, Aristóteles faz uma distinção clara entre o homem livre (cidadão) e o escravo, baseando-se na ideia de que a própria natureza os fez diferentes. Segundo o filósofo, o escravo possui um corpo forte, adaptado ao trabalho braçal e servil, assemelhando-se à utilidade de um animal. Por outro lado, o homem livre possui um corpo inadequado para o trabalho pesado, mas é dotado de plena capacidade racional, o que o torna apto para a vida política e filosófica da pólis. Na filosofia aristotélica, a sociedade é hierarquizada de acordo com a capacidade racional de cada indivíduo. O trabalho braçal era considerado uma atividade inferior, pois exigia muito esforço físico e pouco exercício da razão. Para Aristóteles, quem se dedicava ao trabalho manual não teria o tempo livre (o chamado ócio ou skholé) necessário para desenvolver a virtude, participar dos debates públicos e exercer a cidadania. Portanto, o trabalho físico era delegado aos escravos, que, na visão do autor, possuíam uma racionalidade limitada e nasceram para ser comandados. Analisando as alternativas: A alternativa A está incorreta porque o conceito de "estado de natureza" pertence aos filósofos contratualistas modernos (como Hobbes, Locke e Rousseau), e não a Aristóteles. A alternativa B está incorreta, pois o trabalho braçal era visto como um obstáculo à virtude, e não uma condição para ela. A virtude humana plena exigia a dedicação à razão e à política. A alternativa C é a correta. O trabalho braçal é descrito exatamente como uma atividade que demanda força física (corpo forte do escravo) e uso limitado da racionalidade (já que a razão plena é característica do homem livre). A alternativa D está incorreta. O referencial para a vida ativa do cidadão era a participação política, e não o trabalho braçal. A alternativa E está incorreta. O trabalho manual não era visto como um meio de aperfeiçoamento humano, mas sim como uma necessidade de sobrevivência que deveria ser deixada aos escravos.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.