Questão 110 do ENEM 2014Linguagens

ENEM 2014Linguagens3ª aplicação
Ilustração de uma coluna social intitulada 'FINÍSSIMA'. Mostra duas mulheres e uma criança em frente a um elevador. Um balão de pensamento pergunta: 'Quais as regras de etiqueta para o uso de elevadores?'. Abaixo, um texto com dicas de comportamento assinado por Ana Maria.

Ana Maria, 20 jan. 2012.

Nas regras de etiqueta, a linguagem coloquial promove maior proximidade do leitor com o texto. Um recurso para a produção desse efeito constitui um desvio à variedade padrão da língua portuguesa.

Trata-se do uso
A
de palavras estrangeiras, como “darling” e “pet”, pois afrontam a identidade nacional.
do verbo “ter”, que foi utilizado em lugar de “haver” com o sentido de “existir”.
Resposta correta
C
da forma verbal “adorei”, uma expressão exagerada de emoção e sentimento.
D
do modo imperativo, típico das conversas informais.
E
do substantivo “bate-papo”, que é uma gíria inadequada para regras de etiqueta.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

O comando pede que se identifique, entre as alternativas, qual recurso constitui um desvio à variedade padrão da língua portuguesa — desvio usado para produzir o efeito de coloquialidade, aproximando o leitor do texto.

O ponto decisivo é distinguir dois planos que costumam ser confundidos: o vocabulário (palavras mais ou menos formais, estrangeirismos, gírias) e a estrutura gramatical (a forma como a língua é organizada segundo a norma-padrão). A questão pede um desvio estrutural em relação à norma, não uma simples escolha de palavra informal. Analisando cada opção sob esse critério:

  • Alternativa A — estrangeirismos ("darling", "pet"). É uma questão de vocabulário. Empréstimos linguísticos podem ser evitados em textos muito formais, mas não ferem as regras estruturais da norma-padrão.
  • Alternativa B — o verbo "ter" no lugar de "haver" com sentido de "existir". Aqui sim há um desvio gramatical genuíno. Pela norma-padrão, o sentido de "existir" é expresso pelo verbo haver, empregado de forma impessoal (ex.: Há muitas pessoas no elevador). Na fala cotidiana, porém, é muito comum substituí-lo pelo verbo ter (ex.: Tem muitas pessoas no elevador) — construção coloquial que a gramática tradicional classifica como desvio da norma-padrão. É esse tipo de troca que gera o efeito de proximidade e informalidade descrito no enunciado.
  • Alternativa C — a forma verbal "adorei". Está corretamente conjugada (1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo). A carga emocional da palavra não configura erro gramatical.
  • Alternativa D — o modo imperativo. É um modo verbal legítimo e previsto na norma-padrão; seu uso, por si só, não é desvio.
  • Alternativa E — o substantivo "bate-papo". É um composto dicionarizado e aceito; trata-se de nível de formalidade do vocabulário, não de erro de estrutura.

Por eliminação, o único recurso que representa um desvio real das regras da gramática normativa é a substituição do verbo "haver" pelo verbo "ter" com sentido de existir — daí a alternativa B.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.