Após a abdicação de D. Pedro I, o Brasil atravessou um período marcado por inúmeras crises: as diversas forças políticas lutavam pelo poder e as reivindicações populares eram por melhores condições de vida e pelo direito de participação na vida política do país. Os conflitos representavam também o protesto contra a centralização do governo. Nesse período, ocorreu também a expansão da cultura cafeeira e o surgimento do poderoso grupo dos “barões do café”, para o qual era fundamental a manutenção da escravidão e do tráfico negreiro.
Questão 31 do ENEM 2010 — Ciências Humanas
Resolução comentada
O Período Regencial, que se estendeu de a , é amplamente conhecido como uma das fases mais conturbadas e instáveis da História do Brasil. Para resolver essa questão, precisamos analisar as três grandes características desse período que o próprio texto de apoio nos fornece e conectá-las à alternativa correta.
A Convulsão Política
O texto menciona que o Brasil atravessou "inúmeras crises", com forças políticas lutando pelo poder e o povo reivindicando melhores condições e participação. Esse cenário descreve uma intensa convulsão política. Durante a Regência, o poder central estava enfraquecido (já que o imperador D. Pedro II era apenas uma criança), o que abriu espaço para disputas acirradas entre as elites políticas (como liberais e conservadores) e para a eclosão de diversas revoltas provinciais, como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Guerra dos Farrapos. Muitas dessas rebeliões protestavam justamente contra a centralização do governo e a miséria.
A Nova Realidade Econômica
Ao mesmo tempo em que o país fervia politicamente, o texto aponta para a "expansão da cultura cafeeira" e o surgimento dos "barões do café". Essa era a nova realidade econômica do Brasil. O café começava a despontar como o grande motor da economia nacional, deslocando o eixo econômico para a região Sudeste (especialmente o Vale do Paraíba) e criando uma nova elite muito rica e poderosa.
O Reforço das Velhas Realidades Sociais
Por fim, o texto destaca um paradoxo: para que essa nova economia cafeeira funcionasse e enriquecesse os barões do café, era "fundamental a manutenção da escravidão e do tráfico negreiro". Ou seja, a modernização econômica dependia diretamente do reforço de velhas realidades sociais. A elite cafeeira fez de tudo para preservar a estrutura escravista herdada do período colonial, impedindo qualquer mudança social profunda.
Análise das Alternativas
Com base nessa interpretação, podemos avaliar as opções:
- A) Incorreta. A maioria das revoltas populares do período não exigia a volta da monarquia. Muitas tinham caráter separatista, republicano ou eram levantes contra a fome e a desigualdade. O grupo que queria a volta de D. Pedro I (os Restauradores) era formado por uma parcela da elite e perdeu força com a morte do ex-imperador em .
- B) Incorreta. O período não foi marcado pela submissão ao poder central, mas sim pelo oposto: houve muita insubordinação, revoltas e tentativas de descentralização política.
- C) Incorreta. Os "principais grupos políticos" (as elites que disputavam o governo) lutavam pelo controle do Estado e pela manutenção de seus privilégios, e não por "melhores condições de vida" para a população.
- D) Incorreta. A ascensão dos barões do café foi fruto de um processo econômico ligado à demanda internacional e às condições geográficas, e não uma política de ascensão social promovida deliberadamente pelos regentes.
- E) Correta. Esta alternativa sintetiza perfeitamente a complexidade do período descrita no texto: a convulsão política (crises e revoltas), as novas realidades econômicas (o sucesso do café) e a exigência do reforço de velhas realidades sociais (a manutenção da escravidão para sustentar as lavouras).
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Fonte: prova oficial do ENEM 2010 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.