Questão 27 do ENEM 2012Ciências Humanas

ENEM 2012Ciências Humanas1ª aplicação

As mulheres quebradeiras de coco-babaçu dos Estados do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, na sua grande maioria, vivem numa situação de exclusão e subalternidade. O termo quebradeira de coco assume o caráter de identidade coletiva na medida em que as mulheres que sobrevivem dessa atividade e reconhecem sua posição e condição desvalorizada pela lógica da dominação, se organizam em movimentos de resistência e de luta pela conquista da terra, pela libertação dos babaçuais, pela autonomia do processo produtivo. Passam a atribuir significados ao seu trabalho e as suas experiências, tendo como principal referência sua condição preexistente de acesso e uso dos recursos naturais.

ROCHA, M. R. T. A luta das mulheres quebradeiras de coco-babaçu, pela libertação do coco preso e pela posse da terra. In: Anais do VII Congresso Latino-Americano de Sociologia Rural, Quito, 2006 (adaptado).

A organização do movimento das quebradeiras de coco de babaçu é resultante da
A
constante violência nos babaçuais na confluência de terras maranhenses, piauienses, paraenses e tocantinenses, região com elevado índice de homicídios.
B
falta de identidade coletiva das trabalhadoras, migrantes das cidades e com pouco vínculo histórico com as áreas rurais do interior do Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí.
C
escassez de água nas regiões de veredas, ambientes naturais dos babaçus, causada pela construção de açudes particulares, impedindo o amplo acesso público aos recursos hídricos.
D
progressiva devastação das matas dos cocais, em função do avanço da sojicultura nos chapadões do Meio-Norte brasileiro.
dificuldade imposta pelos fazendeiros e posseiros no acesso aos babaçuais localizados no interior de suas propriedades.
Resposta correta
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

A questão aborda a formação do movimento social das quebradeiras de coco-babaçu, uma comunidade tradicional extrativista que atua na região do Meio-Norte do Brasil (Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins). Para resolvermos, precisamos interpretar o texto de apoio e conectá-lo à realidade dos conflitos agrários brasileiros.

No texto, o autor destaca que essas mulheres se organizam em movimentos de resistência com objetivos claros: a luta pela terra, a "libertação dos babaçuais" e a garantia de sua "condição preexistente de acesso e uso dos recursos naturais".

Historicamente, essas trabalhadoras tinham acesso livre às áreas de ocorrência do babaçu para realizar a coleta e garantir sua subsistência. No entanto, com o avanço da apropriação privada das terras nessa região, fazendeiros e posseiros passaram a cercar as propriedades, restringindo, cobrando taxas ou até mesmo impedindo o acesso dessas mulheres aos cocais. É a essa restrição que o movimento se refere quando fala em "coco preso".

Portanto, a organização do movimento surge como uma resposta direta a essa dificuldade de acesso imposta pelos proprietários de terra, buscando garantir o direito tradicional de uso desses recursos.

Analisando as alternativas:

  • A está incorreta. Embora a violência seja uma realidade nos conflitos agrários, o texto foca na luta pelo acesso aos recursos (libertação dos babaçuais), e não na violência como causa geradora da organização.
  • B está incorreta. O texto afirma exatamente o oposto: o termo "quebradeira de coco" assume um caráter de identidade coletiva.
  • C está incorreta. O problema central relatado não é a escassez de água, mas o acesso à terra e aos babaçuais.
  • D está incorreta. O avanço da fronteira agrícola (sojicultura) é um problema real que causa devastação, mas o texto foca especificamente na questão da posse da terra e no acesso ao "coco preso".
  • E está correta. A "libertação dos babaçuais" é a luta contra a dificuldade imposta pelos fazendeiros e posseiros para que as trabalhadoras acessem os cocais localizados no interior de propriedades privadas.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2012 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.