Questão 111 do ENEM 2016Linguagens

ENEM 2016Linguagens3ª aplicação

Baião é um ritmo popular da Região Nordeste do Brasil, derivado de um tipo de lundu, denominado “baiano”, cujo nome é corruptela. Nasceu sob a influência do cantochão, canto litúrgico da Igreja Católica praticado pelos missionários, e tornou-se expressiva forma modificada pela inconsciente influência de manifestações locais. Um dos grandes sucessos veio com a música homônima, Baião (1946), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

CASCUDO, C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998 (adaptado).

Os elementos regionais que influenciaram culturalmente o baião aparecem em outras formas artísticas e podem ser verificados na obra
A
Pintura de pessoas negras dançando e tocando instrumentos em um terreiro com palmeiras ao fundo. Samba em terreiro, Heitor dos Prazeres.
B
Escultura em barro de um homem sentado operando um rebolo de amolar facas. Amolador de facas, Adalton Lopes.
C
Fotografia de pessoas vestidas com trajes típicos da Folia de Reis em meio a cactos. Folia de Reis, Rosa Gauditano.
Escultura em barro de um cangaceiro montado em um cavalo, representando Lampião. Lampião a cavalo, Mestre Vitalino.
Resposta correta
E
Pintura de um homem tocando viola sentado em uma janela enquanto uma mulher o observa. Violeiro, José Ferraz Almeida Jr.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Compreendendo o Enunciado

O texto de apoio apresenta o baião como um ritmo popular originário da Região Nordeste do Brasil, imortalizado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Gonzaga tornou-se o grande porta-voz do cotidiano do sertanejo: a seca, o cangaço, a fé e a vida no sertão.

O comando pede que identifiquemos qual das obras compartilha dessa mesma matriz cultural regional, ou seja, qual delas expressa, em outra linguagem artística, os elementos do universo nordestino que também alimentaram o baião.

Analisando as Alternativas

  • Alternativa ASamba em terreiro, de Heitor dos Prazeres. A obra remete à cultura afro-brasileira e ao universo do samba, tradicionalmente associado ao Rio de Janeiro, e não à matriz sertaneja do baião.
  • Alternativa BAmolador de facas, de Adalton Lopes. Trata-se de arte popular em barro, mas a cena retratada é um ofício urbano genérico, sem a marcação regional específica do sertão nordestino exigida pelo comando.
  • Alternativa CFolia de Reis, de Rosa Gauditano. A Folia de Reis é uma manifestação religiosa popular com forte presença no Sudeste e Centro-Oeste; ainda que a fotografia traga vegetação típica de clima seco, essa manifestação não integra a gênese do baião como o cangaço integra.
  • Alternativa EVioleiro, de José Ferraz de Almeida Júnior. É um retrato clássico da cultura caipira do interior de São Paulo (Sudeste), universo distinto do sertanejo nordestino.

A Matriz Cultural do Baião

Chegamos à Alternativa D: Lampião a cavalo, de Mestre Vitalino.

Mestre Vitalino foi um dos maiores ceramistas populares do Brasil, natural de Caruaru, em Pernambuco. Duas marcas dessa obra a ligam diretamente ao baião: a materialidade (o barro, artesanato típico do sertão nordestino) e o tema (o cangaceiro Lampião, ícone absoluto do imaginário do cangaço). O cangaço, a seca, o vaqueiro e a arte do barro compõem exatamente o universo cultural que inspirou Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Portanto, a escultura de Mestre Vitalino é a tradução visual dos mesmos elementos regionais que influenciaram o baião, o que confirma a Alternativa D como resposta.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.