Questão 41 do ENEM 2016Linguagens

ENEM 2016Linguagens1ª aplicação

BONS DIAS!
14 de junho de 1889

Ó doce, ó longa, ó inexprimível melancolia dos jornais velhos! Conhece-se um homem diante de um deles. Pessoa que não sentir alguma coisa ao ler folhas de meio século, bem pode crer que não terá nunca uma das mais profundas sensações da vida, – igual ou quase igual à que dá a vista das ruínas de uma civilização. Não é a saudade piegas, mas a recomposição do extinto, a revivescência do passado.

ASSIS, M. Bons dias! (Crônicas 1888-1889). Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Hucitec, 1990.

O jornal impresso é parte integrante do que hoje se compreende por tecnologias de informação e comunicação. Nesse texto, o jornal é reconhecido como
A
objeto de devoção pessoal.
B
elemento de afirmação da cultura.
instrumento de reconstrução da memória.
Resposta correta
D
ferramenta de investigação do ser humano.
E
veículo de produção de fatos da realidade.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos focar na interpretação do texto de Machado de Assis e entender qual é a visão do autor sobre os jornais antigos.

O enunciado nos pede para identificar como o jornal impresso é reconhecido no fragmento lido. Vamos analisar as pistas que o próprio texto nos dá.

Logo no início, o autor fala sobre a "inexprimível melancolia dos jornais velhos" e compara a sensação de lê-los à de observar as "ruínas de uma civilização". Essa comparação já nos indica que o jornal antigo carrega consigo o peso do tempo e da história.

O ponto central para resolvermos a questão está na última frase: "Não é a saudade piegas, mas a recomposição do extinto, a revivescência do passado."

Aqui, Machado de Assis deixa claro que ler jornais antigos não é apenas um ato de nostalgia ("saudade piegas"), mas sim uma forma de trazer de volta à vida aquilo que já acabou ("recomposição do extinto" e "revivescência do passado"). Em outras palavras, o jornal atua como uma ponte para o passado, permitindo que a memória de uma época seja reconstruída.

Vamos analisar as alternativas para confirmar nosso raciocínio:

  • A alternativa A fala em "objeto de devoção pessoal", o que não se encaixa, pois o texto trata de uma sensação mais ampla, ligada à história e à coletividade ("ruínas de uma civilização").
  • A alternativa B sugere "elemento de afirmação da cultura", mas o foco do texto está no resgate do passado, e não na exaltação ou afirmação de uma cultura específica.
  • A alternativa C traz "instrumento de reconstrução da memória", o que traduz perfeitamente as expressões "recomposição do extinto" e "revivescência do passado" usadas pelo autor.
  • A alternativa D menciona "ferramenta de investigação do ser humano". Embora o texto diga que "conhece-se um homem diante de um deles", o tema central e a conclusão do pensamento estão na relação com o tempo e a memória.
  • A alternativa E fala em "veículo de produção de fatos da realidade". O jornal, em seu dia a dia, até relata fatos, mas o texto foca no jornal velho como um registro do que já passou, e não como um produtor de realidade.

Portanto, o texto reconhece o jornal como um verdadeiro instrumento para reconstruir a memória.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.