Caña
El negro
junto al cañaveral.
El yanqui sobre el cañaveral.
La tierra
bajo el cañaveral.
¡Sangre
que se nos va!
GUILLÉN, N. Sóngoro cosongo. Disponível em: www.cervantesvirtual.com. Acesso em: 28 fev. 2012 (fragmento).
Para resolver essa questão, precisamos analisar como o poeta Nicolás Guillén utiliza o espaço físico para construir uma crítica social profunda. O poema descreve três elementos em relação ao canavial (cañaveral), utilizando preposições de lugar diferentes para cada um deles.
Vamos traduzir e interpretar cada verso:
"El negro junto al cañaveral." A preposição junto (ao lado de, próximo a) coloca o negro na posição de trabalhador braçal. Ele está em contato direto com a lavoura, lado a lado com a cana, evidenciando sua condição de mão de obra explorada, sem poder ou posse sobre a terra.
"El yanqui sobre el cañaveral." A preposição sobre (em cima de, acima de) coloca o yanqui (termo usado para se referir aos estadunidenses ou ao capital estrangeiro) em uma posição de superioridade. Isso representa o domínio, o controle econômico e a hierarquia de poder sobre a produção e sobre os trabalhadores.
"La tierra bajo el cañaveral." A preposição bajo (sob, debaixo de) mostra a terra como a base subjugada desse sistema. O poema culmina no verso "¡Sangre que se nos va!", que funciona como uma metáfora para a exploração extrema, onde a riqueza (o sangue) da América Latina é drenada por esse sistema.
Perceba que as preposições não estão ali para dar coordenadas geográficas ou ensinar como se planta cana. Elas são usadas de forma metafórica para desenhar uma pirâmide social: quem domina (sobre), quem trabalha (junto) e quem é explorado até a última gota (bajo).
Analisando as alternativas:
Ainda com dúvida nesta questão?
Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.
Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.