Cena
O canivete voou
E o negro comprado na cadeia
Estatelou de costas
E bateu coa cabeça na pedra
ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001.
Para resolvermos essa questão, precisamos analisar o poema Cena, de Oswald de Andrade, e conectá-lo às propostas estéticas da Primeira Fase do Modernismo brasileiro.
Oswald de Andrade foi um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de . Sua poesia é marcada pela ruptura radical com o academicismo e o parnasianismo, buscando uma linguagem mais livre, coloquial e sintética. O título do poema, Cena, já nos dá uma pista fundamental sobre a sua estrutura: ele é construído como se fosse uma cena de cinema.
Vamos observar os versos:
Note que não há uma narrativa longa e cheia de adjetivos ou conectivos complexos. Em vez disso, o autor nos apresenta imagens rápidas e diretas, como se fossem flashes ou cortes de uma câmera cinematográfica. Cada verso é uma imagem visual que, colocada ao lado da outra (justaposta), forma a cena completa da briga e da queda na mente do leitor. Essa é a chamada técnica de montagem, fortemente influenciada pelas vanguardas europeias (como o Cubismo) e pela linguagem do cinema, que estava em ascensão na época.
Analisando as alternativas:
Portanto, a característica formal que define o poema como modernista é o uso da técnica de montagem de imagens justapostas.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.