Questão 80 do ENEM 2017Ciências Humanas

ENEM 2017Ciências Humanas1ª aplicação

Com a Lei de Terras de 1850, o acesso à terra só passou a ser possível por meio da compra com pagamento em dinheiro. Isso limitava, ou mesmo praticamente impedia, o acesso à terra para os trabalhadores escravos que conquistavam a liberdade.

OLIVEIRA, A. U. Agricultura brasileira: transformações recentes. In: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp. 2009.

O fato legal evidenciado no texto acentuou o processo de
A
reforma agrária.
B
expansão mercantil.
concentração fundiária.
Resposta correta
D
desruralização da elite.
E
mecanização da produção.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão exige a compreensão dos impactos sociais e econômicos da Lei de Terras, promulgada no Brasil no ano de 18501850.

Primeiramente, vamos analisar o que o texto-base nos informa. O enunciado destaca que, a partir da Lei de Terras, a única forma de adquirir terras públicas no Brasil passou a ser a compra em dinheiro. O próprio texto já nos dá a consequência imediata dessa medida: trabalhadores escravizados que conseguiam a liberdade (e, posteriormente, os imigrantes pobres que chegavam ao país) ficavam praticamente impedidos de ter acesso à terra, pois não possuíam recursos financeiros.

Para entender o contexto histórico, é importante lembrar que o ano de 18501850 também foi marcado pela Lei Eusébio de Queirós, que proibiu o tráfico negreiro. A elite agrária brasileira, prevendo o fim gradual da escravidão e a necessidade de atrair mão de obra livre, precisava garantir que esses novos trabalhadores não se tornassem pequenos proprietários independentes. O objetivo era forçá-los a trabalhar nas grandes fazendas (latifúndios) já existentes.

Ao estabelecer que a terra só poderia ser obtida por meio da compra, o Estado brasileiro inviabilizou a posse por posseiros, ex-escravizados e trabalhadores pobres. Como resultado, apenas aqueles que já possuíam capital — ou seja, a elite agrária — conseguiram adquirir e legalizar grandes extensões de terra.

Vamos analisar as alternativas com base nesse raciocínio:

  • A) reforma agrária: Incorreta. A reforma agrária busca justamente o oposto, que é a distribuição e democratização do acesso à terra para pequenos produtores.
  • B) expansão mercantil: Incorreta. A lei tratava da regulamentação da posse de terras, não da expansão do comércio mercantil.
  • C) concentração fundiária: Correta. A exigência de compra em dinheiro fez com que as terras ficassem acumuladas nas mãos de poucos proprietários ricos, acentuando a concentração de terras no Brasil e perpetuando a estrutura do latifúndio.
  • D) desruralização da elite: Incorreta. A elite continuou fortemente ligada ao campo, garantindo seu poder político e econômico através da posse de terras.
  • E) mecanização da produção: Incorreta. A mecanização do campo é um processo que ganha força muito depois, principalmente a partir do século XX, e não tem relação direta com a forma de aquisição de terras no período imperial.

Portanto, a legislação evidenciada no texto foi um mecanismo fundamental para a manutenção e o aprofundamento da desigualdade no campo brasileiro.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2017 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.