Questão 129 do ENEM 2013Linguagens

ENEM 2013Linguagens2ª aplicação

Como ganhar qualquer discussão

A verdade nem sempre depende de fatos — nos jornais, no Congresso ou no boteco, ela é frequentemente empacotada com táticas perversas e milenares. Conhecer essas técnicas é um bom jeito de se defender contra elas (e fazer a sua opinião prevalecer).
1. Capte a benevolência — Siga a dica da retórica romana (captatio benevolentiae) e adule o interlocutor.
2. Exagere o argumento do adversário — É a “técnica do espantalho”, também chamada de ampliação indevida pelo filósofo Arthur Schopenhauer.
3. Entre na onda — Concorde com parte dos argumentos do outro para, a partir daí, traçar a própria conclusão.

Outras dicas do mal:
• Mantenha a calma (o tom de fala vale mais que bons argumentos).
• Invalide as opiniões do adversário, desqualificando-o sem questioná-lo.
• Repita o argumento do outro, mas agora a seu favor.
• Revele que está usando uma tática para ganhar a
discussão (aproveite para fingir que você venceu).

NARLOCH, L. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 27 out. 2011 (fragmento).

O fragmento, retirado de uma revista de divulgação científica, constrói-se em tom de humor, a partir de uma linguagem lúdica e despojada. O apelo a esse recurso expressivo é adequado para essa situação comunicativa, porque
A
converge para a subjetividade, característica desse tipo de periódico.
B
segue parâmetros textuais semelhantes aos das publicações científicas.
confirma o próprio periódico como meio de comunicação de massa.
Resposta correta
D
atende a um leitor interessado em expandir conhecimento teórico.
E
contraria o uso previsto para o registro formal da língua portuguesa.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar a relação entre a linguagem escolhida pelo autor e o veículo onde o texto foi publicado.

O fragmento apresentado foi retirado de uma revista de divulgação científica (a Superinteressante). O objetivo principal desse gênero textual é "traduzir" conhecimentos complexos — sejam eles científicos, acadêmicos ou filosóficos, como é o caso da retórica e da argumentação — para um público leigo, ou seja, pessoas que não são especialistas no assunto.

Ao ler o texto, notamos o uso de uma linguagem bastante informal, lúdica e bem-humorada. Expressões como "dicas do mal", "técnica do espantalho" e a sugestão de usar táticas no "boteco" mostram que o autor quer se aproximar do leitor. Ele transforma um tema que poderia ser denso e teórico em um "manual de truques" divertido e prático.

Mas por que essa escolha de linguagem é adequada?

Revistas de divulgação científica voltadas para o grande público são meios de comunicação de massa. Isso significa que elas precisam atrair, prender a atenção e vender exemplares para um número muito grande e diversificado de pessoas. Se o texto usasse a mesma linguagem formal e técnica de um artigo acadêmico, ele afastaria o leitor comum. Portanto, o uso do humor e da informalidade é uma estratégia fundamental para tornar a leitura leve, acessível e comercialmente atrativa.

Vamos analisar as alternativas para confirmar nosso raciocínio:

  • A alternativa A está incorreta porque, embora o texto possa ter traços de subjetividade, essa não é a característica central que justifica o uso do humor e da informalidade em revistas de divulgação científica.
  • A alternativa B está incorreta pois afirma exatamente o oposto da realidade. Publicações estritamente científicas (como artigos em revistas acadêmicas) exigem uma linguagem formal, objetiva, técnica e impessoal.
  • A alternativa C está correta. A linguagem lúdica e despojada é a ferramenta que a revista utiliza para se consolidar como um meio de comunicação de massa, conseguindo dialogar com um público amplo e heterogêneo.
  • A alternativa D está incorreta porque o leitor que busca expandir um conhecimento puramente "teórico" e aprofundado geralmente recorre a livros acadêmicos ou artigos científicos formais, e não a textos com "dicas do mal" para usar no boteco.
  • A alternativa E está incorreta porque, embora seja verdade que o texto se afasta do registro formal da língua, isso é apenas uma constatação de como o texto foi escrito, e não a explicação do porquê essa escolha é adequada para a situação comunicativa.

Dessa forma, a estratégia de usar uma linguagem despojada serve perfeitamente ao propósito de um veículo de comunicação de massa.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.