Coração tição
Quero me lambuzar nos mares negros
para não me perder,
conseguir chegar no meu destino.
Não quero ser parda, mulata
Sou afro-brasileira-mineira.
Bisneta
de uma princesa de Benguela.
Não serei refém de valores
que não me pertencem.
Quero sentir meu coração
como um tição.
Não vou deixar que o mito
do fogo entre as pernas iluda e desvie
homens e mulheres
daqui por diante.
CRUZ, A. E... Feito luz. Florianópolis: ND, 2006.