da sua memória
mil
e
mui
tos
out
ros
ros
tos
sol
tos
pou
coa
pou
coa
pag
amo
meu
ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1998.
A questão exige a interpretação de um poema de Arnaldo Antunes, que utiliza recursos visuais e formais típicos do Concretismo, para identificar como a forma do texto contribui para a construção do seu sentido.
Primeiramente, vamos analisar o poema e o que ele diz. Lendo as sílabas e letras agrupadas, podemos reconstruir a seguinte frase: "da sua memória mil e muitos outros rostos soltos pouco a pouco apagam o meu". O tema central do poema é, portanto, o apagamento das lembranças, o esquecimento de um rosto em meio a tantos outros na memória de alguém.
O Concretismo é um movimento literário que explora a materialidade da palavra, utilizando a disposição gráfica e visual no papel para reforçar ou criar sentidos. No poema em questão, o autor não escreve as palavras de forma convencional. Em vez disso, ele as fragmenta, quebrando-as em sílabas ou pequenos grupos de letras ("mui / tos / out / ros / ros / tos...").
Essa quebra gráfica não é aleatória. A fragmentação das palavras no papel atua como uma metáfora visual para o que está acontecendo no plano do significado: assim como as palavras estão sendo despedaçadas e reduzidas a pequenos fragmentos, a lembrança do eu lírico na memória da outra pessoa também está se desfazendo, estreitando-se e desaparecendo aos poucos. A forma do poema (palavras fragmentadas) espelha perfeitamente o seu conteúdo (memórias que se apagam e se estreitam).
Analisando as alternativas propostas:
Portanto, a expressividade do poema se dá pela convergência entre a forma fragmentada e o sentido de esquecimento.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.