Questão 24 do ENEM 2020Linguagens

ENEM 2020Linguagens1ª aplicação

DECRETO N. 28 314, DE 28 DE SETEMBRO DE
2007

Demite o Gerúndio do Distrito Federal
e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal,

DECRETA:
Art. 1.° Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2.° Fica proibido, a partir desta data, o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3.° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4.° Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 28 de setembro de 2007.
119.° da República e 48.° de Brasília

Disponível em: www.dodf.gov.br. Acesso em: 11 dez. 201

Esse decreto pauta-se na ideia de que o uso do gerúndio, como “desculpa de ineficiência”, indica
A
conclusão de uma ação.
B
realização de um evento.
C
repetição de uma prática.
continuidade de um processo.
Resposta correta
E
transferência de responsabilidade.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto da questão apresenta um decreto humorístico que "demite" o gerúndio dos órgãos do Governo do Distrito Federal, proibindo seu uso como "desculpa de ineficiência". Para resolvermos essa questão, precisamos entender qual é a função gramatical do gerúndio e como ela se relaciona com a ideia de ineficiência criticada no texto.

Na língua portuguesa, o gerúndio é uma das formas nominais do verbo (junto com o infinitivo e o particípio) e é caracterizado pela terminação "-ndo" (como em fazendo, analisando, providenciando). Sua principal função gramatical é expressar uma ação em curso, ou seja, algo que está acontecendo no momento da fala ou que tem uma duração prolongada no tempo. Ele indica um processo não finalizado.

Quando o decreto associa o gerúndio a uma "desculpa de ineficiência", ele está fazendo uma crítica irônica à linguagem burocrática (o famoso "gerundismo"). Em um cenário de ineficiência, quando um cidadão cobra a resolução de um problema, a resposta frequentemente vem no gerúndio: "estamos verificando", "estamos encaminhando", "estamos resolvendo". A ação está sempre em andamento, mas nunca chega a uma conclusão. O gerúndio serve como um álibi perfeito: dá a impressão de que o trabalho está sendo feito, mascarando o fato de que o resultado final nunca é entregue.

Analisando as alternativas com base nesse raciocínio:

  • A alternativa A está incorreta porque a conclusão de uma ação é expressa pelo particípio (ex: feito, concluído), e não pelo gerúndio.
  • A alternativa B é imprecisa, pois a "realização de um evento" remete a algo pontual, enquanto o gerúndio foca na duração e no desenrolar da ação.
  • A alternativa C traz uma armadilha comum. Embora um processo ineficiente possa envolver repetição, a essência do gerúndio não é a repetição de uma prática, mas sim a duração contínua de uma única ação.
  • A alternativa D é a correta. A "continuidade de um processo" é a definição exata da função do gerúndio. É justamente essa característica de manter a ação em um estado de eterna continuidade que o torna a "desculpa" criticada pelo decreto.
  • A alternativa E está incorreta porque o gerúndio não transfere a responsabilidade para outra pessoa; ele apenas prolonga o tempo de execução da tarefa indefinidamente.

Portanto, a alternativa correta é a D.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.