Questão 10 do ENEM 2014Ciências Humanas

ENEM 2014Ciências Humanas2ª aplicação

Desde 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem registrado certos bens imateriais como patrimônio cultural do país. Entre as manifestações que já ganharam esse status está o ofício das baianas do acarajé. Enfatize-se: o ofício das baianas, não a receita do acarajé. Quando uma baiana prepara o acarajé, há uma série de códigos imperceptíveis para quem olha de fora. A cor da roupa, a amarra dos panos e os adereços mudam de acordo com o santo e com a hierarquia dela no candomblé. O Iphan conta que, registrando o ofício, “esse e outros mundos ligados ao preparo do acarajé podem ser descortinados”.

KAZ, R. A diferença entre o acarajé e o sanduíche de Bauru. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 13, out. 2006 (adaptado).

De acordo com o autor, o Iphan evidencia a necessidade de se protegerem certas manifestações históricas para que continuem existindo, destacando-se nesse caso a
A
mistura de tradições africanas, indígenas e portuguesas no preparo do alimento por parte das cozinheiras baianas.
relação com o sagrado no ato de preparar o alimento, sobressaindo-se o uso de símbolos e insígnias pelas cozinheiras.
Resposta correta
C
utilização de certos ingredientes que se mostram cada vez mais raros de encontrar, com as mudanças nos hábitos alimentares.
D
necessidade de preservação dos locais tradicionais de preparo do acarajé, ameaçados com as transformações urbanas no país.
E
importância de se treinarem as cozinheiras baianas a fim de resgatar o modo tradicional de preparo do acarajé, que remonta à escravidão.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos fazer uma leitura atenta do texto de apoio e entender o conceito de patrimônio cultural imaterial. O texto destaca uma ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ao registrar o ofício das baianas do acarajé como patrimônio cultural do Brasil.

O ponto central do texto está na seguinte passagem: "Enfatize-se: o ofício das baianas, não a receita do acarajé. Quando uma baiana prepara o acarajé, há uma série de códigos imperceptíveis para quem olha de fora. A cor da roupa, a amarra dos panos e os adereços mudam de acordo com o santo e com a hierarquia dela no candomblé."

Isso significa que o que está sendo protegido não é apenas o alimento em si (a receita ou os ingredientes), mas sim toda a bagagem cultural, simbólica e religiosa que envolve o seu preparo. O ato de fazer o acarajé está intimamente ligado ao Candomblé, uma religião de matriz africana. As roupas, os panos e os adereços funcionam como símbolos (insígnias) que comunicam a relação da baiana com o sagrado (o seu santo) e a sua posição dentro da hierarquia religiosa.

Analisando as alternativas com base nessa interpretação:

  • A alternativa A está incorreta porque o texto não aborda a mistura de tradições indígenas e portuguesas.
  • A alternativa B é a correta, pois traduz perfeitamente a ideia do texto: a proteção do ofício se justifica pela sua profunda relação com o sagrado (Candomblé) durante o preparo do alimento, evidenciada pelo uso de símbolos e insígnias (roupas, adereços, amarrações).
  • A alternativa C está incorreta porque não há menção à escassez de ingredientes.
  • A alternativa D está incorreta, pois o foco do texto não é a preservação do espaço físico ou ameaças urbanas, mas sim a prática cultural.
  • A alternativa E está incorreta porque o Iphan não propõe "treinar" as cozinheiras, mas sim reconhecer e proteger um saber que já é transmitido tradicionalmente por elas.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.