Questão 5 do ENEM 2012Ciências Humanas

ENEM 2012Ciências Humanas2ª aplicação

“É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento.”

Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo. Apud RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

A frase do último presidente do regime militar indicava a ambiguidade da transição política no país. Neste contexto, houve resistências internas ao processo de distensão planejado pela alta cúpula militar, que se manifestaram com
A
as campanhas no rádio, TV e jornais em favor da lei de anistia.
B
as posições de prefeitos e governadores em apoio à instalação de eleições diretas.
C
as articulações no Congresso pela convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte.
os atos criminosos, como a explosão de bombas, de militares inconformados com o fim da ditadura.
Resposta correta
E
as articulações dos parlamentares do PDS, PMDB e PT em prol da candidatura de Tancredo Neves à presidência.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos nos situar no período final da Ditadura Militar brasileira, especificamente durante o governo do general João Baptista Figueiredo (19791979-19851985). Esse período foi marcado pelo processo de "abertura política", que havia sido planejado e iniciado por seu antecessor, Ernesto Geisel, com a promessa de ser uma transição "lenta, gradual e segura" de volta para a democracia.

A frase do enunciado, "É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento", é emblemática porque revela a grande contradição e a tensão do momento. Ao mesmo tempo em que o presidente reafirma o compromisso com a redemocratização ("abrir mesmo"), ele utiliza uma retórica extremamente autoritária ("prendo e arrebento").

O ponto crucial para interpretar o texto e resolver a questão é entender a quem essa ameaça era direcionada. Figueiredo não estava ameaçando a oposição civil, mas sim os setores radicais de dentro das próprias Forças Armadas, conhecidos historicamente como a "linha-dura". Esses militares mais extremistas não aceitavam o fim do regime, repudiavam a Lei da Anistia (que permitiu a volta de exilados políticos) e queriam manter o controle autoritário do Estado a qualquer custo.

Para tentar frear o processo de abertura e justificar a manutenção da ditadura, membros dessa "linha-dura" passaram a promover atos de terrorismo. O objetivo era criar um clima de pânico e instabilidade na sociedade, para então colocar a culpa nos grupos de esquerda e convencer a cúpula militar a cancelar a redemocratização. O caso mais famoso dessa estratégia de resistência interna foi o Atentado do Riocentro, ocorrido em 19811981, quando uma bomba explodiu acidentalmente no colo de um sargento do Exército (matando-o) no estacionamento de um show que celebrava o Dia do Trabalhador.

Analisando as alternativas à luz desse contexto: As alternativas A, B, C e E descrevem ações, campanhas e articulações da sociedade civil, de políticos e de movimentos populares que lutavam a favor da redemocratização (como a campanha pela Anistia, as Diretas Já e a Constituinte). Nenhuma delas representa a resistência interna do regime.

A alternativa D é a única que descreve corretamente a reação da "linha-dura" militar, que, inconformada com a perda iminente de poder e com o fim da ditadura, recorreu a atos criminosos, como a explosão de bombas (cartas-bomba na OAB e o caso Riocentro), para tentar sabotar a transição política.

Portanto, a alternativa correta é a D.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2012 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.