“É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento.”
Frase pronunciada pelo presidente João Baptista Figueiredo. Apud RIBEIRO, D. Aos trancos e barrancos e o Brasil deu no que deu. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
Para resolver essa questão, precisamos nos situar no período final da Ditadura Militar brasileira, especificamente durante o governo do general João Baptista Figueiredo (-). Esse período foi marcado pelo processo de "abertura política", que havia sido planejado e iniciado por seu antecessor, Ernesto Geisel, com a promessa de ser uma transição "lenta, gradual e segura" de volta para a democracia.
A frase do enunciado, "É para abrir mesmo e quem quiser que eu não abra eu prendo e arrebento", é emblemática porque revela a grande contradição e a tensão do momento. Ao mesmo tempo em que o presidente reafirma o compromisso com a redemocratização ("abrir mesmo"), ele utiliza uma retórica extremamente autoritária ("prendo e arrebento").
O ponto crucial para interpretar o texto e resolver a questão é entender a quem essa ameaça era direcionada. Figueiredo não estava ameaçando a oposição civil, mas sim os setores radicais de dentro das próprias Forças Armadas, conhecidos historicamente como a "linha-dura". Esses militares mais extremistas não aceitavam o fim do regime, repudiavam a Lei da Anistia (que permitiu a volta de exilados políticos) e queriam manter o controle autoritário do Estado a qualquer custo.
Para tentar frear o processo de abertura e justificar a manutenção da ditadura, membros dessa "linha-dura" passaram a promover atos de terrorismo. O objetivo era criar um clima de pânico e instabilidade na sociedade, para então colocar a culpa nos grupos de esquerda e convencer a cúpula militar a cancelar a redemocratização. O caso mais famoso dessa estratégia de resistência interna foi o Atentado do Riocentro, ocorrido em , quando uma bomba explodiu acidentalmente no colo de um sargento do Exército (matando-o) no estacionamento de um show que celebrava o Dia do Trabalhador.
Analisando as alternativas à luz desse contexto: As alternativas A, B, C e E descrevem ações, campanhas e articulações da sociedade civil, de políticos e de movimentos populares que lutavam a favor da redemocratização (como a campanha pela Anistia, as Diretas Já e a Constituinte). Nenhuma delas representa a resistência interna do regime.
A alternativa D é a única que descreve corretamente a reação da "linha-dura" militar, que, inconformada com a perda iminente de poder e com o fim da ditadura, recorreu a atos criminosos, como a explosão de bombas (cartas-bomba na OAB e o caso Riocentro), para tentar sabotar a transição política.
Portanto, a alternativa correta é a D.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2012 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.