Questão 16 do ENEM 2013Ciências Humanas

ENEM 2013Ciências Humanas2ª aplicação

É preciso ressaltar que, de todas as capitanias brasileiras, Minas era a mais urbanizada. Não havia ali hegemonia de um ou dois grandes centros. A região era repleta de vilas e arraiais, grandes e pequenos, em cujas ruas muita gente circulava.

PAIVA, E. F. O ouro e as transformações na sociedade colonial. São Paulo: Atual, 1998.

As regiões da América portuguesa tiveram distintas lógicas de ocupação. Uma explicação para a especificidade da região descrita no texto está identificada na
A
apropriação cultural diante das influências externas.
B
produção manufatureira diante do exclusivo comercial.
C
insubordinação religiosa diante da hierarquia eclesiástica.
fiscalização estatal diante das particularidades econômicas.
Resposta correta
E
autonomia administrativa diante das instituições metropolitanas.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto da questão destaca uma característica muito peculiar da capitania de Minas Gerais durante o período colonial: sua intensa e descentralizada urbanização. Diferente do Nordeste açucareiro, que era predominantemente rural e concentrado em torno da casa-grande dos engenhos, a região mineradora era repleta de vilas e arraiais. Para resolver a questão, precisamos entender o que motivou essa diferença estrutural.

A Economia Mineradora e o Controle da Coroa

A descoberta de ouro em Minas Gerais mudou a lógica de ocupação da América Portuguesa. O ouro possui características econômicas muito particulares: é extremamente valioso, fácil de ser transportado e, consequentemente, muito fácil de ser contrabandeado.

Para garantir que a metrópole recebesse a sua parte das riquezas (como a rigorosa cobrança do "quinto", que correspondia a 20%20\% do ouro extraído), a Coroa Portuguesa precisou montar um forte e complexo aparato burocrático, jurídico e militar na região.

A Lógica da Urbanização

É exatamente essa necessidade de fiscalização estatal que explica a rede urbana descrita no texto. Para controlar a extração, cobrar impostos (através das Casas de Fundição) e aplicar a lei, Portugal precisava de funcionários, soldados, intendentes e governadores presentes no local.

A elevação de um arraial à categoria de vila era o ato administrativo que estabelecia o poder oficial do Estado em um território, instalando a Câmara Municipal e o pelourinho. Portanto, a proliferação de vilas e arraiais não foi um acidente, mas sim uma consequência direta da necessidade de vigiar de perto uma atividade econômica altamente lucrativa e suscetível a desvios.

Analisando as Alternativas

Com base nesse raciocínio, fica claro por que a alternativa correta é a D. A "fiscalização estatal" foi a resposta da metrópole diante das "particularidades econômicas" da mineração.

Vamos observar por que as outras opções não se sustentam:

  • A: A apropriação cultural existiu, mas não é o fator que explica a fundação de uma rede urbana administrativa e descentralizada.
  • B: A produção manufatureira era desencorajada e, posteriormente, proibida na colônia (como reforçado pelo Alvará de 17851785) para não concorrer com a metrópole e não desviar a mão de obra da mineração.
  • C: A Coroa, na verdade, proibiu a fixação de ordens religiosas regulares em Minas Gerais justamente para evitar que o clero contrabandeasse ouro (origem da expressão "santo do pau oco").
  • E: Não havia autonomia administrativa; pelo contrário, Minas Gerais foi a região que sofreu o controle mais rígido, opressivo e centralizador por parte das instituições metropolitanas.

Sendo assim, a urbanização fragmentada e intensa de Minas Gerais foi o reflexo geográfico e social do controle fiscal português.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.