Questão 95 do ENEM 2014Linguagens

ENEM 2014Linguagens1ª aplicação

El robo

Para los niños
anchos espacios tiene el día
y las horas
son calles despejadas
abiertas avenidas.

A nosotros, se estrecha
el tiempo de tal modo
que todo está apretado y oprimido.

Se atropellan los tiempos
Casi no da lugar un día a otro.
No bien ha amanecido
cae la luz a pique
en veloz mediodía
y apenas la contemplas
huye en atardeceres
hacia pozos de sombra.

Dice una voz:
entre vueltas y vueltas
se me fue el día.

Algún ladrón
oculto roba mi vida.

MAIA, C. Obra poética. Montevidéu: Rebecalinke, 2010.

O poema El robo, de Circe Maia, poetisa uruguaia contemporânea, trata do(a)
A
problema do abandono de crianças nas ruas.
B
excesso de trabalho na sociedade atual.
angústia provocada pela fugacidade do tempo.
Resposta correta
D
violência nos grandes centros urbanos.
E
repressão dos sentimentos e da liberdade.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos interpretar o poema El robo, da escritora uruguaia Circe Maia, e identificar o seu tema central. O título, que em português significa "O roubo", já nos dá uma pista de que algo está sendo tirado do eu lírico. Mas o que seria?

Vamos analisar a estrutura e as imagens construídas no poema. Logo no início, há um contraste claro entre a percepção de tempo das crianças e a dos adultos. Para as crianças, o dia tem "anchos espacios" (espaços largos) e as horas são "calles despejadas / abiertas avenidas" (ruas vazias / avenidas abertas). Ou seja, na infância, o tempo parece abundante e livre.

Em contrapartida, para os adultos ("A nosotros"), o tempo "se estrecha" (se estreita), ficando "apretado y oprimido" (apertado e oprimido). A sensação de aceleração é descrita nos versos seguintes: os dias se atropelam, o amanhecer rapidamente vira um "veloz mediodía" (veloz meio-dia) e, num piscar de olhos, foge para o entardecer.

No final do poema, uma voz constata: "entre vueltas y vueltas se me fue el día" (entre idas e vindas, meu dia se foi). A conclusão do eu lírico é que "Algún ladrón oculto roba mi vida" (Algum ladrão oculto rouba minha vida).

Aqui, percebemos que o "ladrão" e o "roubo" não são literais. Trata-se de uma metáfora para a fugacidade do tempo. A vida moderna e a rotina corrida fazem com que o tempo passe tão rápido que temos a sensação de que nossos dias estão sendo roubados, gerando um sentimento de angústia.

Agora, vamos avaliar as alternativas:

  • A) problema do abandono de crianças nas ruas. Incorreta. O poema cita crianças apenas para contrastar a percepção de tempo delas com a dos adultos.
  • B) excesso de trabalho na sociedade atual. Incorreta. Embora a rotina acelerada possa estar ligada ao trabalho, o poema foca na passagem do tempo em si, e não nas relações trabalhistas.
  • C) angústia provocada pela fugacidade do tempo. Correta. O poema descreve exatamente a aflição de ver o tempo passar rápido demais, como se estivesse sendo roubado por um "ladrão oculto".
  • D) violência nos grandes centros urbanos. Incorreta. As palavras "robo" e "ladrón" são usadas em sentido figurado (metáfora), não se referindo à criminalidade urbana.
  • E) repressão dos sentimentos e da liberdade. Incorreta. O estreitamento e a opressão mencionados no texto referem-se ao tempo, não a uma repressão emocional ou política.

Portanto, a alternativa correta é a C.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.