Questão 43 do ENEM 2025Linguagens

ENEM 2025Linguagens1ª aplicação

Em 1995, os Jenipapo-Kanindé quebraram a tradição da sucessão masculina e nomearam Maria de Lourdes da Conceição Alves como sua líder. Desde então, a Cacique Pequena guia o povo em grandes batalhas pelo direito a terra, educação, saúde e cidadania. Hoje, a anciã de 73 anos prepara duas filhas para lhe sucederem quando ela “tombar e pai Tupã a levar”.

Hoje, 129 famílias do município de Aquiraz são reconhecidas pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) como indígenas, principal luta de Pequena para o seu povo desde o início. “Em 1995, fui a Brasília e tive a oportunidade de conversar com o presidente da Funai. Pedi que mandasse o povo dele na aldeia para fazer o estudo da nossa mãe-terra e de nós”. Dois anos depois, vieram os antropólogos, que concluíram: “Nós era índio sim!”, diz ela.

Há cerca de oito anos, Pequena adoeceu e ficou entre a vida e a morte. Nesse momento, precisou escolher, entre os 16 filhos, quem assumiria sua missão quando partisse. Reunida, a família decidiu sobre a sucessão. “Disseram que, como eu era a primeira cacique mulher do Ceará, acharam melhor eu colocar duas filhas”.

Disponível em: www.sesc-ce.com.br. Acesso em: 15 set. 2024 (adaptado).

Ao abordar a realidade da etnia Jenipapo-Kanindé, essa reportagem cumpre uma função social quando destaca o(a)
A
quantidade de famílias indígenas em Aquiraz.
B
força da tradição nas comunidades indígenas.
C
estudo sobre a demarcação das terras indígenas.
protagonismo feminino na linha sucessória desse povo.
Resposta correta
E
reconhecimento dessa comunidade pelo governo brasileiro.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos fazer uma leitura atenta do texto e identificar qual é o seu foco principal, ou seja, a mensagem central que a reportagem busca transmitir à sociedade.

O texto relata a história da etnia Jenipapo-Kanindé, destacando um marco ocorrido em 1995: a quebra da tradição de sucessão exclusivamente masculina com a nomeação de Maria de Lourdes da Conceição Alves, a Cacique Pequena, como líder. Além de contar a trajetória de luta da cacique por direitos e reconhecimento, a reportagem enfatiza que, ao pensar em sua sucessão, a família decidiu que ela deveria ser substituída por duas de suas filhas, consolidando a liderança feminina na comunidade.

Vamos analisar as alternativas para entender por que a correta se destaca:

  • Alternativa A: A quantidade de famílias (129) é apenas um dado informativo secundário no texto, não sendo o foco principal da reportagem.
  • Alternativa B: O texto mostra exatamente o oposto em relação à liderança: houve uma quebra da tradição da sucessão masculina, e não a manutenção de uma tradição antiga.
  • Alternativa C: O estudo antropológico e a demarcação de terras são mencionados como parte das conquistas da cacique, mas não são o tema central que estrutura toda a narrativa.
  • Alternativa D: Correta. O texto cumpre sua função social ao dar visibilidade ao protagonismo feminino, mostrando como as mulheres assumiram a liderança (Cacique Pequena) e como essa nova configuração se manterá na linha sucessória (suas duas filhas).
  • Alternativa E: O reconhecimento pela Funai é uma das vitórias citadas, mas o fio condutor da história é a força e a liderança da mulher indígena.

Portanto, a reportagem destaca o protagonismo feminino na linha sucessória desse povo.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.