Em muitos animais, machos e fêmeas da mesma espécie apresentam diferenças morfológicas ou comportamentais evidentes. Um exemplo clássico de dimorfismo sexual é o caso do pavão, em que o macho possui cauda vistosa e penas coloridas, as quais estão ausentes nas fêmeas. Em outras espécies, os machos possuem chifres, garras ou dentes maiores do que as fêmeas, e utilizam essas estruturas em combates físicos para defender territórios e ter acesso a fêmeas coespecíficas e receptivas.
Questão 103 do ENEM 2022 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
A questão aborda um conceito fundamental da evolução: o dimorfismo sexual. Esse termo refere-se às diferenças físicas e comportamentais entre machos e fêmeas de uma mesma espécie, como a cauda vistosa do pavão macho ou os grandes chifres de alguns mamíferos.
Para entender por que essas características evoluem, precisamos recorrer ao conceito de seleção sexual, que é um caso particular da seleção natural. Enquanto a seleção natural clássica favorece características que aumentam as chances de sobrevivência do indivíduo, a seleção sexual atua sobre características que aumentam o sucesso reprodutivo, ou seja, a capacidade de conseguir parceiros e deixar descendentes.
No caso dos pavões, as fêmeas preferem acasalar com machos que possuem caudas maiores e mais coloridas. Já em espécies onde os machos lutam, aqueles com chifres ou garras maiores vencem os combates e ganham o direito de acasalar. Em ambos os casos, os machos que possuem essas características acentuadas (dimórficos) conseguem se reproduzir mais. Consequentemente, eles passam os genes responsáveis por essas características para a próxima geração com maior frequência.
Vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:
- A) Deriva genética: É um processo evolutivo aleatório, não direcional, e não explica o surgimento de adaptações complexas voltadas para a reprodução.
- B) Pressão seletiva nas fêmeas: As fêmeas não sofrem "menor" pressão seletiva; elas apenas sofrem pressões diferentes, muitas vezes mais voltadas para a camuflagem (sobrevivência) e o cuidado com a prole.
- C) Distinção fenotípica: Dizer que machos e fêmeas são distintos é apenas a definição de dimorfismo sexual, e não a causa evolutiva desse padrão.
- E) Mutações gênicas: Não há nenhuma relação direta que indique que machos dimórficos sofrem mais mutações em seu material genético.
Portanto, o dimorfismo sexual evolui porque a seleção sexual atua favorecendo o sucesso reprodutivo dos machos que apresentam essas características vantajosas para o acasalamento.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.