Questão 24 do ENEM 2012Ciências Humanas

ENEM 2012Ciências Humanas2ª aplicação

Em teoria, as pessoas livres da Colônia foram enquadradas em uma hierarquia característica do Antigo Regime. A transferência desse modelo, de sociedade de privilégios, vigente em Portugal, teve pouco efeito prático no Brasil. Os títulos de nobreza eram ambicionados. Os fidalgos eram raros e muita gente comum tinha pretensões à nobreza.

FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp; Fundação do Desenvolvimento da Educação, 1995 (adaptado).

Ao reelaborarem a lógica social vigente na metrópole, os sujeitos do mundo colonial construíram uma distinção que  ordenava a vida cotidiana a partir da
A
concessão de títulos nobiliárquicos por parte da Igreja Católica.
afirmação de diferenças fundadas na posse de terras e de escravos.
Resposta correta
C
imagem do Rei e de sua Corte como modelo a ser seguido.
D
miscigenação associada a profissões de elevada qualificação.
E
definição do trabalho como princípio ético da vida em sociedade.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

O texto da questão aborda a transposição do modelo social do Antigo Regime europeu para o Brasil Colônia. Na Europa, a sociedade era estamental, ou seja, dividida em ordens (clero, nobreza e povo), onde o status social era determinado principalmente pelo nascimento e pela posse de títulos de nobreza.

No entanto, como o próprio texto do historiador Boris Fausto aponta, esse modelo teve "pouco efeito prático no Brasil". A metrópole portuguesa não enviou muitos nobres (fidalgos) para a colônia. Diante dessa ausência de uma nobreza de sangue consolidada, a sociedade colonial precisou reelaborar sua própria lógica de distinção social.

No Brasil Colônia, o status, o poder político e o prestígio social passaram a ser definidos não pelos títulos de nobreza herdados, mas sim pelo poder econômico e material. A elite colonial, muitas vezes chamada de "homens bons", era formada por aqueles que detinham os principais meios de produção da época: a terra e os escravizados. Eram os grandes senhores de engenho e latifundiários que exerciam o poder local (nas Câmaras Municipais) e ditavam as regras da vida cotidiana.

Analisando as alternativas:

A) Incorreta. A concessão de títulos nobiliárquicos era uma prerrogativa do Rei (Estado), e não da Igreja Católica. Além disso, o texto afirma que os títulos eram ambicionados, mas a distinção prática não se baseava apenas neles.

B) Correta. A posse de terras (latifúndios) e de escravizados era o verdadeiro critério de riqueza, poder e diferenciação social na colônia, substituindo a lógica do nascimento da nobreza europeia.

C) Incorreta. Embora a figura do Rei fosse respeitada, a Corte estava distante (em Portugal) e não servia como um modelo prático para a ordenação da vida cotidiana no interior da colônia.

D) Incorreta. A miscigenação, na verdade, era frequentemente vista com preconceito pela elite branca, e as profissões manuais ou de qualificação técnica não conferiam status elevado, pois o trabalho manual era associado à escravidão.

E) Incorreta. Na sociedade colonial escravista, o trabalho manual era desvalorizado e visto como "coisa de escravo", não sendo um princípio ético de distinção positiva para a elite.

Portanto, a alternativa correta é a B.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2012 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.