Em um laboratório, pesquisadores tentavam desenvolver uma vacina contra um vírus que infecta tanto roedores como o homem. Uma das vacinas foi capaz de imunizar 100% dos ratos testados, o que foi considerado um grande sucesso. Entretanto, quatro semanas após, novos experimentos com outras cobaias mostraram que 40% dos animais não sobreviveram a testes para a mesma vacina. Em um terceiro experimento, três meses depois, apenas 15% das novas cobaias sobreviveram aos testes.
Questão 130 do ENEM 2024 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
Para resolver essa questão, precisamos analisar cuidadosamente o que o enunciado nos diz sobre os experimentos realizados.
Inicialmente, uma vacina foi testada e conseguiu imunizar dos ratos. No entanto, ao longo do tempo (quatro semanas e, depois, três meses), novos testes foram feitos com outras cobaias (ou seja, animais recém-vacinados). Nesses novos testes, a eficácia da vacina caiu drasticamente: primeiro, dos animais morreram (eficácia de ) e, depois, apenas sobreviveram (eficácia de ).
Como os testes foram realizados em novas cobaias, podemos descartar problemas relacionados ao organismo dos animais em si, como a perda de memória imunológica, pois esses animais haviam acabado de receber a vacina e gerar seus anticorpos. O problema, portanto, não está na vacina ou nas cobaias, mas sim no vírus.
Os vírus, especialmente os de RNA, possuem uma característica biológica muito marcante: uma elevada taxa de mutação. Como eles se multiplicam muito rápido e seus mecanismos de cópia de material genético costumam falhar, surgem frequentemente novas variantes. Essas mutações alteram as proteínas da superfície do vírus (os antígenos).
A vacina original foi desenvolvida para ensinar o sistema imune a reconhecer o formato do vírus original. Quando o vírus sofre mutações ao longo das semanas e meses, seu formato muda. Assim, os anticorpos produzidos pelas novas cobaias (que receberam a vacina original) não conseguem mais reconhecer e neutralizar o vírus mutante com a mesma eficiência. É por isso que a taxa de sobrevivência despenca.
Analisando as alternativas:
- A) Diminuição da carga viral nas cobaias: Se a carga viral diminuísse, a sobrevivência aumentaria, e não o contrário.
- B) Supressão do sistema imune das cobaias: Não há indícios de que o vírus ou a vacina causem imunossupressão nas novas cobaias.
- C) Elevada taxa de mutação dos vírus ativos: Correto. A rápida mudança nas características do vírus faz com que a vacina perca sua eficácia ao longo do tempo.
- D) Perda da memória imunológica das cobaias: Incorreto, pois o texto enfatiza que os testes foram feitos em "outras cobaias" e "novas cobaias", que foram recém-imunizadas.
- E) Mudança da janela imunológica dos animais testados: A janela imunológica é o tempo entre a infecção e a detecção de anticorpos em exames, o que não tem relação com a perda de eficácia da vacina.
Portanto, o principal mecanismo envolvido é a alta capacidade de mutação do vírus.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2024 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.