Questão 3 do ENEM 2022Linguagens

ENEM 2022Linguagens1ª aplicação

En los suburbios de La Habana, llaman al amigo mi tierra o mi sangre.En Caracas, el amigo es mi pana o mi llave: pana, por panadería, la fuente del buen pan para las hambres del alma; y llave por…—Llave, por llave—me dice Mario Benedetti. Y me cuenta que cuando vivía en Buenos Aires, en los tiempos del terror, él llevaba cinco llaves ajenas en su llavero: cinco llaves, de cinco casas, de cinco amigos: las llaves que lo salvaron.

GALEANO, E. El libro de los abrazos. Madri: Siglo Veintiuno, 2015.

Nesse texto, o autor demonstra como as diferentes expressões existentes em espanhol para se referir a “amigo” variam em função
A
das peculiaridades dos subúrbios hispano-americanos.
B
da força da conexão espiritual entre os amigos.
do papel da amizade em diferentes contextos.
Resposta correta
D
do hábito de reunir amigos em torno da mesa
E
dos graus de intimidade entre os amigos
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar o texto de Eduardo Galeano e entender o que motiva a mudança das palavras usadas para designar a figura do "amigo" em diferentes lugares da América Latina.

O autor nos apresenta uma jornada por diferentes países e contextos, mostrando que a escolha da palavra para "amigo" não é aleatória, mas carregada de significado:

  1. Em Havana (Cuba): O amigo é chamado de mi tierra ou mi sangre. Aqui, a amizade está ligada à ideia de identidade, pertencimento e raízes.
  2. Em Caracas (Venezuela): O amigo é mi pana, palavra que deriva de panadería (padaria). O texto explica poeticamente que o amigo é a fonte do "bom pão para as fomes da alma", ou seja, aquele que traz sustento e nutrição emocional.
  3. Em Buenos Aires (Argentina): Através do relato de Mario Benedetti, descobrimos que, durante os "tempos do terror" (referência ao período da ditadura militar), o amigo era chamado de llave (chave). Nesse contexto histórico de perseguição e perigo, a amizade assumiu um papel de sobrevivência e abrigo físico, representado pelas chaves das casas que salvaram a vida do escritor.

Ao observar esses três cenários, percebemos que a variação linguística não ocorre apenas por uma questão geográfica, mas sim porque a amizade exerce funções distintas dependendo da realidade vivida pelas pessoas. O amigo pode ser a conexão com as origens, o conforto emocional ou a salvação literal em tempos sombrios.

Analisando as alternativas:

  • A) das peculiaridades dos subúrbios hispano-americanos. Incorreta. Embora o texto cite os subúrbios de Havana no início, a reflexão se expande para outros contextos, como a ditadura em Buenos Aires, que não se restringe a uma peculiaridade de subúrbio.
  • B) da força da conexão espiritual entre os amigos. Incorreta. A ideia de conexão espiritual até se aplica à expressão pana ("fomes da alma"), mas não abrange o sentido prático e de sobrevivência física da palavra llave no contexto da ditadura.
  • C) do papel da amizade em diferentes contextos. Correta. Como vimos, as palavras mudam porque a função (o papel) do amigo muda conforme a necessidade do momento e o contexto histórico ou cultural (identidade, sustento emocional ou salvação).
  • D) do hábito de reunir amigos em torno da mesa. Incorreta. A menção ao pão (pana) é metafórica, referindo-se ao alimento para a alma, e não ao ato literal de comer em conjunto.
  • E) dos graus de intimidade entre os amigos. Incorreta. O texto compara como a amizade é vista em diferentes países e situações históricas, e não se um amigo é mais ou menos íntimo que outro.

Portanto, a língua reflete a realidade e as necessidades de seus falantes, mostrando como o papel da amizade se adapta a diferentes contextos.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.