Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
A questão aborda um dos debates mais clássicos da Filosofia: a origem do conhecimento humano, contrapondo as visões do Racionalismo e do Empirismo. Para resolvermos, precisamos analisar cuidadosamente o que cada autor defende nos textos apresentados.
No Texto I, René Descartes, um dos principais nomes do Racionalismo, afirma que "os sentidos eram enganosos" e conclui que não devemos confiar naquilo que já nos enganou. Para Descartes, o conhecimento verdadeiro e seguro não pode derivar da experiência sensorial (visão, audição, tato, etc.), pois os sentidos falham. A base do conhecimento, em sua visão, deve ser a razão.
No Texto II, David Hume, um dos maiores representantes do Empirismo, argumenta de forma oposta. Ele questiona a validade de qualquer ideia que não derive de uma "impressão sensorial". Para Hume, a mente humana é como uma folha em branco, e todo o nosso conhecimento se origina, fundamentalmente, das experiências que captamos através dos sentidos. Se uma ideia não pode ser rastreada até uma experiência sensorial, ela não tem significado.
Comparando os dois excertos, percebemos claramente uma divergência fundamental:
Analisando as alternativas:
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Fonte: prova oficial do ENEM 2012 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.