Questão 92 do ENEM 2009Linguagens

ENEM 2009Linguagens1ª aplicação

Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?
Cliente – Estou interessado em financiamento para compra
de veículo.
Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de crédito.
O senhor é nosso cliente?
Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou
funcionário do banco.
Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá
em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de
Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma.

BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua materna.
São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado).

Na representação escrita da conversa telefônica entre a gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira de falar da gerente foi alterada de repente devido
à adequação de sua fala à conversa com um amigo, caracterizada pela informalidade
Resposta correta
B
à iniciativa do cliente em se apresentar como funcionário do banco.
C
ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia (Minas Gerais).
D
à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu nome completo.
E
ao seu interesse profissional em financiar o veículo de Júlio.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar o diálogo e entender o fenômeno da variação linguística situacional, que é a capacidade de adequarmos a nossa linguagem ao contexto em que estamos inseridos.

No início da conversa, a gerente adota um registro formal, adequado ao ambiente profissional de um banco e ao atendimento de um cliente desconhecido. Isso fica evidente no uso de pronomes de tratamento e na linguagem polida: "Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo?" e "O senhor é nosso cliente?".

O ponto de virada ocorre quando o cliente se identifica: "Sou Júlio César Fontoura, também sou funcionário do banco." A partir dessa informação, a gerente reconhece não apenas um colega de trabalho, mas um amigo de longa data.

Imediatamente, ela altera seu modo de falar para um registro informal (ou coloquial), que é a "roupa do dia a dia" da nossa linguagem, usada em situações descontraídas e com pessoas próximas. Notamos essa mudança pelo uso de:

  • Apelidos: "Julinho"
  • Gírias: "cara"
  • Reduções de palavras típicas da oralidade: "Cê" (você) e "inda" (ainda)

Essa quebra de formalidade não acontece simplesmente porque ele é funcionário do banco, mas sim porque a gerente percebe que está falando com um amigo, o que exige uma adequação da fala para um tom mais íntimo e pessoal.

Analisando as alternativas:

  • A) Correta. A gerente reconheceu seu amigo e ajustou sua linguagem para o nível informal, adequado a essa relação de proximidade.
  • B) Incorreta. O fato de ele ser funcionário foi o que permitiu o reconhecimento, mas o gatilho para a mudança tão drástica (usando "cara" e "Julinho") foi a amizade, não o mero coleguismo corporativo.
  • C) Incorreta. O texto menciona que ele trabalhava na agência de Uberlândia, mas não afirma que ambos nasceram lá.
  • D) Incorreta. O cliente se apresentou de forma bastante formal, fornecendo seu nome completo. A intimidade partiu da gerente ao reconhecê-lo.
  • E) Incorreta. O interesse profissional já existia no início da conversa, quando ela usava a linguagem formal. A mudança para a informalidade foi uma reação pessoal.

Portanto, a mudança repentina na fala da gerente deve-se à adequação de sua linguagem à conversa com um amigo.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2009 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.