Questão 103 do ENEM 2025Ciências da Natureza

ENEM 2025Ciências da NaturezaBelém

Há um grande esforço científico no desenvolvimento de novos processos para o aproveitamento de resíduos lignocelulósicos, como o bagaço de cana-de-açúcar, para produção de etanol de segunda geração (2G). Apesar de já existirem tecnologias disponíveis, a maioria apresenta limitações técnicas ou econômicas. Nesse sentido, um dos principais desafios que envolvem a produção de etanol celulósico é disponibilizar monossacarídeos fermentáveis das moléculas poliméricas, conforme a ilustração.

Esquema da produção de Etanol 2G: Bagaço de cana-de-açúcar passa por Extração gerando Celulose (polímero), que passa por Hidrólise enzimática gerando Glicose (monômero), que passa por Fermentação gerando Etanol 2G.

SANTOS, F. A. et al. Potencial da palha de cana-de-açúcar para produção de etanol. Química Nova, n. 5, 2012 (adaptado).

Um pesquisador, para tentar otimizar a produção, poderia acrescentar ao processo de hidrólise enzimas extraídas de
A
células entéricas de gaviões.
B
suco pancreático de humanos.
bactérias do rúmen de bovinos.
Resposta correta
D
glândulas salivares de roedores.
E
macerado do estômago de macacos.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolvermos essa questão, precisamos analisar o processo químico e biológico que está sendo proposto no enunciado e na imagem. O objetivo do pesquisador é otimizar a produção de etanol de segunda geração (2G) a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

Observando o esquema, vemos que o passo limitante descrito é a hidrólise enzimática da celulose. A celulose é um polímero estrutural formado por milhares de moléculas de glicose unidas por ligações glicosídicas do tipo β(14)\beta(1 \rightarrow 4). O objetivo dessa hidrólise é quebrar esse polímero gigante para liberar os monossacarídeos (moléculas de glicose), que posteriormente sofrerão fermentação para virar etanol.

Para que essa quebra ocorra de forma enzimática, é necessária uma enzima específica chamada celulase. O grande desafio biológico aqui é que a imensa maioria dos animais vertebrados — incluindo seres humanos, aves de rapina (gaviões), roedores e primatas — não produz a enzima celulase em seu próprio organismo. É por isso que não conseguimos digerir o capim ou a madeira; a celulose passa pelo nosso trato digestório apenas como fibra alimentar.

Então, onde encontramos a celulase na natureza? A resposta está nos animais herbívoros, especialmente nos ruminantes (como os bovinos). Esses animais baseiam sua dieta em plantas ricas em celulose. No entanto, o próprio boi não produz celulase. A mágica acontece em um compartimento especializado do seu estômago chamado rúmen.

O rúmen funciona como uma grande câmara de fermentação que abriga uma relação de simbiose mutualística com uma vasta microbiota, composta principalmente por bactérias, protozoários e fungos. São esses microrganismos que possuem o maquinário genético para produzir e secretar a celulase, realizando a quebra da celulose em açúcares menores que o boi consegue absorver.

Analisando as alternativas com base nesse raciocínio:

  • Células entéricas de gaviões (carnívoros) não produzem celulase.
  • Suco pancreático humano contém amilase (para quebrar amido), lípases e proteases, mas não celulase.
  • Glândulas salivares de roedores produzem amilase salivar, não celulase.
  • O estômago de macacos não é a fonte produtora dessa enzima.

Portanto, para extrair enzimas capazes de hidrolisar a celulose do bagaço da cana, o pesquisador deve recorrer às bactérias do rúmen de bovinos.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.