Questão 113 do ENEM 2025Ciências da Natureza

ENEM 2025Ciências da NaturezaReaplicação

Há um mês, um paciente está apresentando um quadro clínico que inclui febre, sudorese noturna, perda de peso, fadiga e infecções recorrentes. Supondo a presença do vírus HIV, o médico solicita um teste de diagnóstico. O esquema representa um teste laboratorial que usa o sangue do paciente para confirmar a suspeita do médico.

Esquema de um teste de diagnóstico ELISA mostrando a separação do sangue em plasma, leucócitos e hemácias, seguido por etapas de reação em que antígenos de HIV ligados a uma fase sólida capturam anticorpos do plasma, que por sua vez são detectados por anticorpos secundários associados a enzimas que degradam um substrato gerando cor.

RAMIREZ, A. ELISA Assay as a Diagnostic Tool: Basics and Uses. Disponível em: www.pig333.com. Acesso em: 18 nov. 2022 (adaptado).

O elemento presente na amostra de sangue do paciente, responsável pelo diagnóstico positivo, é o(a)
A
antígeno do vírus.
B
leucócito infectado.
C
enzima do anticorpo.
anticorpo no plasma.
Resposta correta
E
hemácia contaminada.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O esquema representa um teste ELISA (Ensaio de Imunoabsorção Enzimática), amplamente usado no diagnóstico sorológico de infecções como a pelo HIV. Para responder, precisamos identificar qual componente vindo da amostra do paciente é o responsável por gerar o resultado positivo.

O ponto de partida é o sangue coletado, que se separa em três frações: hemácias (no fundo), uma fina camada de leucócitos e o plasma (a parte líquida no topo). É do plasma que sai o material analisado no teste. Vale lembrar que, embora o HIV infecte leucócitos (linfócitos T CD4+CD4^+), o diagnóstico sorológico não busca a célula infectada, e sim a resposta imune presente na fração líquida.

O funcionamento do ELISA indireto ocorre por etapas:

  • Etapa 1 — antígenos fixados. O fundo do poço já vem preparado com antígenos do HIV presos à fase sólida. Eles são parte do kit (não vêm do paciente) e funcionam como 'isca'.
  • Etapa 2 — adição do plasma. Coloca-se o plasma do paciente no poço. Se o paciente tiver sido infectado, seu sistema imune terá produzido anticorpos contra o HIV; esses anticorpos se ligam aos antígenos fixados no fundo. É essa ligação anticorpo–antígeno que caracteriza a presença da infecção.
  • Etapa 3 — anticorpo secundário com enzima. Adiciona-se um anticorpo secundário associado a uma enzima (também um reagente do kit), que reconhece e se prende aos anticorpos humanos já capturados.
  • Etapa 4 — substrato e cor. Por fim, adiciona-se um substrato. A enzima do anticorpo secundário degrada esse substrato, gerando uma reação colorida — o sinal de diagnóstico positivo.

Perceba que a cor só aparece se houver anticorpos do paciente presos na Etapa 2. Sem eles, o anticorpo secundário não fica retido e não há cor. Portanto, o elemento da amostra do paciente que garante o diagnóstico positivo é o anticorpo, e ele está no plasma.

Analisando as alternativas:

  • A) Incorreta. O teste não detecta o antígeno do vírus vindo do paciente; ele usa antígenos do kit para capturar anticorpos.
  • B) Incorreta. Embora o HIV infecte leucócitos, o ELISA usa a fração líquida (plasma/soro), não a camada de leucócitos.
  • C) Incorreta. A enzima pertence ao anticorpo secundário, que é reagente do laboratório, e não a algo do paciente.
  • D) Correta. O diagnóstico positivo decorre da detecção de anticorpos presentes no plasma do paciente.
  • E) Incorreta. As hemácias não participam da reação e são separadas na coleta.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.