Questão 15 do ENEM 2020Linguagens

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Indústria cultural da felicidade

Tornou-se perigoso o emprego da palavra felicidade desde seu mau uso pela propaganda. Os que se negam a usá-la acreditam liberar os demais dos desvios das falsas necessidades, das bugigangas que se podem comprar em shoppings grã-finos ou em camelôs na beira da calçada, que, juntos, sustentam a indústria cultural da felicidade à qual foi reduzido o que, antes, era o ideal ético de uma vida justa. Infelicidade poderia ser o nome próprio desse novo estado da alma humana que se perdeu de si ao perder-se do sentido do que está a fazer. Desespero é um termo ainda mais agudo quando se trata da perda do sentido das ações pela perda da capacidade de reflexão sobre o que se faz. A felicidade publicitária está ao alcance dos dedos e não promete um depois. Resulta disso a massa de “desesperados” trafegando como zumbis nos shoppings e nas farmácias do país em busca de alento.

TIBURI, M. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br. Acesso em: 12 nov. 2014 (adaptado).

Ao reprovar a ação da indústria da felicidade e um comportamento humano, o texto associa a
A
ansiedade recorrente ao lançamento de novidades no mercado.
B
visita frequente ao shopping à resolução de problemas cotidianos.
C
atitude impensada ao atendimento de necessidades emergenciais.
postura consumista à crença na promessa ilusória de anúncios publicitários.
Resposta correta
E
vantagem econômica à venda de produtos falsificados no mercado ambulante
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos fazer uma leitura atenta e interpretativa do texto de Marcia Tiburi, focando na crítica que a autora constrói sobre a ideia de "felicidade" na sociedade contemporânea.

O texto aborda o conceito de "indústria cultural da felicidade", destacando como a palavra "felicidade" passou a ser mal utilizada pela propaganda. A autora menciona que as pessoas são levadas a consumir "bugigangas" em shoppings ou camelôs para satisfazer "falsas necessidades". Esse comportamento é descrito como uma perda da capacidade de reflexão, em que os indivíduos agem como "zumbis" em busca de um alento imediato, impulsionados pela "felicidade publicitária".

O comando da questão pede que identifiquemos a que o texto associa a reprovação da ação da indústria da felicidade e do comportamento humano. Vamos analisar as alternativas com base na nossa interpretação:

  • A alternativa A fala em "ansiedade recorrente ao lançamento de novidades". Embora o consumismo possa gerar ansiedade, o foco central do texto não é o calendário de lançamentos do mercado, mas sim a promessa de felicidade atrelada ao ato de consumir.
  • A alternativa B sugere que a visita ao shopping está ligada à "resolução de problemas cotidianos". O texto diz o oposto: as pessoas buscam alento para um "desespero" e uma "infelicidade" profundos (um vazio existencial), e não para resolver problemas práticos do dia a dia.
  • A alternativa C fala em "necessidades emergenciais". O texto, na verdade, critica a criação de "falsas necessidades" pela propaganda, e não o atendimento de urgências reais.
  • A alternativa D relaciona a "postura consumista" (comprar bugigangas, trafegar como zumbis em shoppings) à "crença na promessa ilusória de anúncios publicitários" (a felicidade publicitária, o mau uso pela propaganda). Essa é exatamente a tese defendida pela autora: a indústria da propaganda cria uma ilusão de felicidade rápida e superficial que leva as pessoas a um consumismo irrefletido.
  • A alternativa E foca na "vantagem econômica" da venda de produtos falsificados. O texto cita os camelôs apenas como um dos locais de consumo, sem focar na economia ou na pirataria como tema central da discussão filosófica proposta.

Portanto, a crítica do texto recai diretamente sobre como a publicidade cria uma ilusão de felicidade que, por sua vez, impulsiona um consumismo desenfreado e vazio de sentido.

Gabarito: Alternativa D.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.