Questão 1 do ENEM 2016Linguagens

ENEM 2016Linguagens1ª aplicação

La Sala II de la Cámara de Casación Penal ordenó que Marcela y Felipe Noble Herrera, los hijos adoptivos de la duena de Clarín, se sometan “a la extracción directa, con o sin consentimiento, de mínimas muestras de sangre, saliva, piei, cabello u otras muestras biológicas” que les pertenezcan de “manera indubitable” para poder determinar si son hijos de desaparecidos. El tribunal, así, hizo lugar a un reclamo de las Abuelas de Plaza de Mayo y movió un casillero una causa judicial que ya lleva diez anos de indefinición. Sin embargo, simultáneamente, fijó un limite y sólo habilito la comparación de los perfiles genéticos de los jóvenes con el ADN de las familias de personas “detenidas o desaparecidas con certeza” hasta el 13 de mayo de 1976, en el caso de Marcela, y hasta el 7 de julio del mismo ano en el de Felipe. La obtención del material genético no será inmediata, ya que algunas de las partes apelarán y el tema inevitablemente desembocará a la Corte Suprema, que tendrá la palabra final sobre la discusión de fondo.
“Es una de cal y otra de arena, es querer quedar bien con Dios y con el diablo”, resumió la presidenta de Abuelas, Estela Carlotto, su primera impresión de la resolución que firmaron Guillermo Yacobucci, Luis García y Raúl Madueño. Aun así la evaluó como “un paso importante” porque determina que “sí o sí la extracción de sangre o de elementos que
contengan ADN debe proceder”. “Lo que nos cayó mal”, acotó, es “la limitación” temporal que permitirá que la comparación se haga sólo con un grupo de familias. “Seguimos con la historia de que acá hay de primera y de segunda. Por qué todos los demás casos siempre se han comparado con el Banco (de Datos Genéticos) completo y en éste no?”, se preguntó.

HAUSER, I. Disponível em: www.pagina12.com.ar. Acesso em: 30 maio 2016.

Nessa notícia, publicada no jornal argentino Página 12, citam-se comentários de Estela Carlotto, presidente da associação Abuelas de Plaza de Mayo, com relação a uma decisão do tribunal argentino. No contexto da fala, a expressão “una de cal y otra de arena” é utilizada para
A
referir-se ao fato de a decisão judicial não implicar a sua imediata aplicação.
B
destacar a inevitável execução da sentença.
ironizar a parcialidade da Justiça nessa ação
Resposta correta
D
criticar a coleta compulsória do material genético.
E
enfatizar a determinação judicial como algo consolidado.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, é preciso analisar o contexto em que a expressão idiomática “una de cal y otra de arena” aparece no texto.

A notícia relata uma decisão judicial na Argentina envolvendo a coleta de material genético dos filhos adotivos da dona do jornal Clarín, para verificar se são filhos de desaparecidos políticos. A decisão teve dois lados:

  1. Lado favorável às Abuelas de Plaza de Mayo: o tribunal ordenou a extração de amostras biológicas (DNA), com ou sem consentimento.
  2. Lado desfavorável: o tribunal limitou a comparação desse DNA apenas às famílias de pessoas desaparecidas até datas específicas de 1976, e não a todo o Banco de Dados Genéticos.

Ao comentar a decisão, Estela Carlotto, presidente da associação, afirma: “Es una de cal y otra de arena, es querer quedar bien con Dios y con el diablo”. Em português, há expressões equivalentes como "uma no cravo e outra na ferradura". Ela usa a expressão de forma irônica para apontar que a Justiça tentou agradar aos dois lados ao mesmo tempo ("ficar bem com Deus e com o diabo"): concedeu a coleta do DNA, mas restringiu a comparação, revelando parcialidade em vez de buscar a verdade de forma ampla.

Analisando as alternativas:

A) referir-se ao fato de a decisão judicial não implicar a sua imediata aplicação. Incorreta. Embora o texto mencione que a decisão não será imediata por causa das apelações, a expressão não trata dessa demora, e sim do caráter contraditório da decisão.

B) destacar a inevitável execução da sentença. Incorreta. O texto deixa claro que as partes vão apelar e que a Corte Suprema dará a palavra final; a execução não é inevitável neste momento.

C) ironizar a parcialidade da Justiça nessa ação. Correta. Ao dizer que a Justiça quis "ficar bem com Deus e com o diabo", Carlotto ironiza a postura do tribunal, que, em vez de comparar o DNA com todo o banco de dados, tomou uma decisão limitada e parcial.

D) criticar a coleta compulsória do material genético. Incorreta. Carlotto e as Abuelas de Plaza de Mayo são justamente as maiores defensoras da coleta do material genético. A crítica dela recai sobre a limitação da comparação, não sobre a coleta.

E) enfatizar a determinação judicial como algo consolidado. Incorreta. A decisão ainda cabe recurso e irá à Corte Suprema, portanto não está consolidada.

Assim, a expressão evidencia a insatisfação com a tentativa da Justiça de ser parcial e não resolver o problema em sua totalidade, o que confirma a alternativa C.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.