Questão 41 do ENEM 2018Linguagens

ENEM 2018Linguagens2ª aplicação

Muitos trabalhos recentes de arte digital não consistem mais em objetos puros e simples, que se devem admirar ou analisar, mas em campos de possibilidades, programas geradores de experiências estéticas potenciais. Se já era difícil decidir sobre a paternidade de um produto da cultura técnica, visto que ela oscilava entre a máquina e os vários sujeitos que a manipulam, a tarefa agora torna-se ainda mais complexa.

Se quisermos complicar ainda mais o esquema da criação nos objetos artísticos produzidos com meios tecnológicos, poderíamos incluir também aquele que está na ponta final do processo e que foi conhecido pelos nomes (hoje inteiramente inapropriados) de espectadores, ouvintes ou leitores: numa palavra, os receptores de produtos culturais.

MACHADO, A. Máquina e imaginário: o desafio das poéticas tecnológicas. São Paulo: Edusp, 1993 (adaptado).

O autor demonstra a crise que os meios digitais trazem para questões tradicionais da criação artística, particularmente, para a autoria. Essa crise acontece porque, atualmente, além de clicar e navegar, o público
A
analisa o objeto artístico.
B
anula a proposta do autor.
C
assume a criação da obra.
interfere no trabalho de arte.
Resposta correta
E
impede a atribuição de autoria.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto de Arlindo Machado aborda uma transformação profunda trazida pela arte digital: a mudança no papel do público. Antes, a obra de arte era vista como um "objeto puro e simples" que o espectador apenas admirava ou analisava de forma passiva. Com as novas tecnologias, a arte passa a ser um "campo de possibilidades", ou seja, um ambiente interativo onde a experiência estética depende da ação de quem a acessa.

O autor destaca que essa mudança gera uma crise na ideia tradicional de autoria. Se antes o autor era o único criador da obra, agora o receptor (antigo espectador, ouvinte ou leitor) também entra no "esquema da criação". Isso ocorre porque, na arte digital, o público não apenas contempla, mas age sobre a obra, modificando-a e construindo sua própria experiência.

Vamos analisar as alternativas para entender qual descreve corretamente essa nova atitude do público:

  • A) analisa o objeto artístico. Incorreta. A análise da obra sempre foi feita pelo público, mesmo na arte tradicional. Isso não é uma novidade trazida pelos meios digitais.
  • B) anula a proposta do autor. Incorreta. O público não destrói ou anula a ideia original do artista; ele interage com as possibilidades que o próprio artista programou.
  • C) assume a criação da obra. Incorreta. O público não se torna o único criador. A autoria passa a ser compartilhada ou mais complexa, mas o artista original ainda é quem cria o "programa gerador" da experiência.
  • D) interfere no trabalho de arte. Correta. Ao interagir com a obra digital (clicando, navegando, fazendo escolhas), o público interfere diretamente no resultado final da obra, participando ativamente de sua construção.
  • E) impede a atribuição de autoria. Incorreta. O texto diz que a tarefa de decidir a autoria se torna "ainda mais complexa", e não impossível.

Portanto, a crise na autoria ocorre justamente porque o público passa a interferir ativamente na obra de arte.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2018 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.