Questão 87 do ENEM 2016Ciências Humanas

ENEM 2016Ciências Humanas1ª aplicação

Não estou mais pensando como costumava pensar. Percebo isso de modo mais acentuado quando estou lendo. Mergulhar num livro, ou num longo artigo, costumava ser fácil. Isso raramente ocorre atualmente. Agora minha atenção começa a divagar depois de duas ou três páginas. Creio que sei o que está acontecendo. Por mais de uma década venho passando mais tempo On-line, procurando e surfando e algumas vezes acrescentando informação à grande biblioteca da internet. A internet tem sido uma dádiva para um escritor como eu. Pesquisas que antes exigiam dias de procura em jornais ou na biblioteca agora podem ser feitas em minutos. Como disse o teórico da comunicação Marshall McLuhan nos anos 60, a mídia não é apenas um canal passivo para o tráfego de informação. Ela fornece a matéria, mas também molda o processo de pensamento. E o que a net parece fazer é pulverizar minha capacidade de concentração e contemplação.

CARR, N. Is Google making us stupid’? Disponível em: www.theatlantic.com. Acesso em: 17 fev. 2013 (adaptado).

Em relação à internet, a perspectiva defendida pelo autor ressalta um paradoxo que se caracteriza por
associar uma experiência superficial à abundância de informações.
Resposta correta
B
condicionar uma capacidade individual à desorganização da rede.
C
agregar uma tendência contemporânea à aceleração do tempo.
D
aproximar uma mídia inovadora à passividade da recepҫãо.
E
equiparar uma ferramenta digital à tecnologia analógica.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Análise do texto e do paradoxo

O texto traz uma reflexão pessoal do autor sobre como o uso constante da internet alterou sua forma de pensar e de ler. Ele relata que, por um lado, a internet é uma "dádiva": oferece uma quantidade imensa de informações em minutos (abundância), pois pesquisas que antes levavam dias hoje são feitas rapidamente. Por outro lado, ele percebe que sua capacidade de concentração e contemplação foi "pulverizada" — não consegue mais mergulhar profundamente em um livro ou artigo longo, tendo sua atenção desviada depois de poucas páginas (experiência superficial).

Um paradoxo é uma ideia que carrega uma aparente contradição. No texto, o paradoxo está exatamente no fato de que o acesso a uma quantidade quase infinita de informações não nos torna leitores mais profundos nem pensadores mais focados; ao contrário, torna a leitura fragmentada e superficial.

Avaliação das alternativas

Alternativa A (correta): sintetiza a contradição vivida pelo autor. A experiência superficial (falta de concentração, leitura fragmentada) é o resultado direto do contato com a abundância de informações (a grande biblioteca da internet).

Alternativa B (incorreta): o autor não atribui sua falta de concentração a uma desorganização da rede. Pelo contrário, a rede é eficiente (pesquisas em minutos); o que muda o pensamento é a própria natureza do meio.

Alternativa C (incorreta): embora a internet acelere a busca por dados, o foco central do texto é a mudança cognitiva (perda de foco e profundidade), e não a aceleração do tempo em si.

Alternativa D (incorreta): o autor cita Marshall McLuhan justamente para lembrar que a mídia "não é apenas um canal passivo", refutando a ideia de recepção passiva.

Alternativa E (incorreta): o texto contrasta a leitura digital com a analógica (livros e jornais), mostrando efeitos diferentes na concentração, em vez de equipará-las.

Portanto, a alternativa correta é a A.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.