Questão 35 do ENEM 2013Ciências Humanas

ENEM 2013Ciências Humanas2ª aplicação

No alvorecer do século XX, o Rio de Janeiro sofreu, de fato, uma intervenção que alterou profundamente sua fisionomia e estrutura, e que repercutiu como um terremoto nas condições de vida da população.

BENCHIMOL, J. Reforma urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro. In: FERREIRA, J.; DELGADO, L. A.N. O Brasil republicano: o tempo do liberalismo excludente. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

O texto refere-se à reforma urbanística ocorrida na capital da República, na qual a ação governamental e seu resultado social encontram-se na:
A
Cobrança de impostos — ocupação da periferia.
Destruição de cortiços — revolta da população pobre.
Resposta correta
C
Criação do transporte de massa — ampliação das favelas.
D
Construção de hospitais públicos — insatisfação da elite urbana.
E
Edificação de novas moradias — concentração de trabalhadores.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos nos transportar para o Rio de Janeiro do início do século XX, mais especificamente durante a gestão do prefeito Pereira Passos (1902–1906) e do presidente Rodrigues Alves. Nessa época, a capital federal passou por uma intensa reforma urbana inspirada nas grandes capitais europeias, como Paris.

O objetivo do governo era "modernizar" e "civilizar" a cidade, além de combater epidemias que afastavam investidores e imigrantes estrangeiros. Para isso, foi implementada uma política que ficou popularmente conhecida como "Bota-Abaixo". Essa ação consistiu na demolição em massa de antigas habitações populares, os famosos cortiços, localizados na região central da cidade, para dar lugar a largas avenidas, praças e edifícios imponentes.

No entanto, essa modernização teve um custo social altíssimo. A população pobre que vivia nesses cortiços foi expulsa de suas casas sem receber qualquer tipo de assistência ou realocação digna por parte do Estado. Sem ter para onde ir, essas pessoas foram empurradas para as encostas dos morros e para as periferias, acelerando o processo de favelização.

Essa exclusão social e espacial gerou uma profunda insatisfação entre as camadas populares. O clima de tensão e revolta acumulado com as demolições, somado à campanha de vacinação obrigatória contra a varíola (liderada pelo sanitarista Oswaldo Cruz), foi o estopim para a Revolta da Vacina em 1904. Portanto, a revolta não foi apenas contra a vacina em si, mas contra toda a truculência e o autoritarismo das medidas governamentais que marginalizavam os mais pobres.

Analisando as alternativas com base nesse contexto histórico:

  • A) Cobrança de impostos — ocupação da periferia: O foco da reforma não foi a criação de novos impostos, mas sim a remodelação física e sanitária do centro urbano.
  • B) Destruição de cortiços — revolta da população pobre: Correta. A ação governamental central foi a demolição das moradias populares (cortiços), o que resultou na revolta das camadas mais pobres, culminando em episódios como a Revolta da Vacina.
  • C) Criação do transporte de massa — ampliação das favelas: Embora as favelas tenham crescido como consequência da expulsão, a ação governamental descrita no texto não foi a criação de transporte de massa.
  • D) Construção de hospitais públicos — insatisfação da elite urbana: A elite urbana foi a principal beneficiada e apoiadora das reformas de embelezamento e higienização.
  • E) Edificação de novas moradias — concentração de trabalhadores: Ocorreu exatamente o oposto; o governo destruiu moradias sem construir novas para a população afetada, promovendo a desconcentração forçada dos trabalhadores do centro.

Assim, a alternativa que melhor sintetiza a ação do governo e sua consequência social imediata é a B.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.