Questão 26 do ENEM 2025Linguagens

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No Brasil que não respira “é tudo pra ontem”
Pandemia de fumaça, seca e calor traz de volta os versos de Emicida que nos acolheram nos anos da covid

O desânimo que toma conta de mim está espelhado nos olhos de quem encontro nestes dias de fumaça e fogo. Escrevo do centro de São Paulo, quando a temperatura atinge 34 graus e a umidade despenca para menos de 20%. “Já houve dias piores”, me lembra o vizinho, “esse agora é o novo normal”.

Agora a gente entra e sai, mas sem respirar, morrendo a cada dia um pouquinho no fogo que queima de norte a sul, de leste a oeste, destruindo nossas riquezas compartilhadas. “Viver é partir, voltar e repartir, morte é quando a tragédia vira um costume”, canta Emicida em É tudo pra ontem.

É uma tragédia sem fronteiras, como a covid, e dessa vez não podemos apontar para um vírus nem apelar para as vacinas. Os culpados somos nós. Mesmo que sejam “os outros” a botar o fogo, há quanto tempo consentimos?

AMARAL, M. Disponível em: https://apublica.org. Acesso em: 18 set. 2024 (adaptado).

Nesse texto, há uma estratégia argumentativa de comparação utilizada para alertar sobre a gravidade do problema abordado. Essa estratégia revela-se no trecho:
A
“Já houve dias piores”.
B
“esse agora é o novo normal”.
C
“morte é quando a tragédia vira um costume”.
“É uma tragédia sem fronteiras, como a covid”.
Resposta correta
E
“há quanto tempo consentimos?”.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos identificar no texto um trecho que utilize a comparação como estratégia argumentativa para destacar a gravidade do problema abordado, que são as queimadas, a fumaça e a seca.

A comparação é um recurso retórico e uma figura de linguagem que aproxima dois elementos diferentes para destacar uma característica comum entre eles. Geralmente, ela é marcada por conectivos explícitos, como "como", "tal qual", "assim como", "que nem", entre outros.

Analisando as alternativas propostas:

  • A) “Já houve dias piores”. Aqui temos apenas o relato de uma constatação feita por um vizinho, sem o uso de comparação com outro evento para alertar sobre a gravidade.
  • B) “esse agora é o novo normal”. Essa frase expressa uma ideia de conformismo com a situação atual, não estabelecendo uma comparação direta.
  • C) “morte é quando a tragédia vira um costume”. Trata-se de uma reflexão poética e filosófica citada a partir de uma música, funcionando mais como uma definição metafórica do que como uma comparação argumentativa.
  • D) “É uma tragédia sem fronteiras, como a covid”. Neste trecho, encontramos exatamente o que o comando da questão pede. A autora utiliza o conectivo comparativo "como" para aproximar a atual crise ambiental (fumaça e fogo) da pandemia de covid-19. Ao fazer isso, ela alerta o leitor para a extrema gravidade e a abrangência do problema, mostrando que, assim como o vírus, a fumaça não respeita limites geográficos ("sem fronteiras").
  • E) “há quanto tempo consentimos?”. Esta é uma pergunta retórica que busca gerar reflexão e autoavaliação no leitor sobre a nossa parcela de culpa, não sendo uma comparação.

Portanto, a estratégia argumentativa de comparação revela-se claramente na alternativa D.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.