No final do século XIX, muitos cientistas estavam interessados nos intrigantes fenômenos observados nas ampolas de raios catódicos, que são tubos sob vácuo em que se ligam duas placas a uma fonte de alta tensão. Os raios catódicos passam através de um orifício no ânodo e continuam o percurso até a outra extremidade do tubo, onde são detectados pela fluorescência produzida ao chocarem-se com um revestimento especial, como pode ser observado na figura. Medições da razão entre a carga e a massa dos constituintes dos raios catódicos mostram que a sua identidade independe do material do cátodo ou do gás dentro das ampolas.
Questão 129 do ENEM 2020 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
Esta questão trata de um dos experimentos mais marcantes da história da ciência: o estudo dos raios catódicos em ampolas de vidro sob vácuo, que levou J. J. Thomson à descoberta da primeira partícula subatômica e à proposição de um novo modelo atômico.
Para identificar a natureza dessa radiação invisível, vamos reunir as duas pistas fornecidas pelo experimento.
Comportamento diante das placas eletrizadas
Na figura, o tubo passa entre duas placas ligadas a cargas opostas: uma placa negativa (na parte superior) e uma placa positiva (na parte inferior). O feixe de raios catódicos é representado desviando-se em direção à placa positiva.
Uma regra fundamental do eletromagnetismo é que cargas de sinais opostos se atraem. Se o feixe é atraído pela placa positiva, então as partículas que o compõem só podem ter carga elétrica negativa.
Universalidade da partícula
O texto informa que a razão entre a carga () e a massa () das partículas, isto é, o valor de , não depende do material do cátodo nem do gás dentro da ampola. Esse é o ponto decisivo: se a mesma partícula aparece independentemente da substância usada, ela não pode ser um átomo ou íon de um elemento específico (cuja massa mudaria de material para material). Trata-se, portanto, de um constituinte fundamental presente em toda e qualquer matéria.
Conclusão
Juntando as duas evidências — partícula de carga negativa e constituinte universal da matéria —, concluímos que os raios catódicos são feixes de elétrons.
Avaliando as demais opções:
- A) ânions: têm carga negativa, mas sua razão varia conforme o elemento ou molécula de origem, o que contraria a afirmação de que a identidade da partícula independe do material.
- B) cátions: têm carga positiva; seriam atraídos pela placa negativa, desviando no sentido oposto ao mostrado.
- C) prótons: têm carga positiva; também seriam atraídos pela placa negativa.
- E) partículas alfa: são formadas por prótons e nêutrons, com carga positiva (); igualmente seriam desviadas para a placa negativa e não são constituintes universais da matéria.
A única resposta que descreve uma partícula universal de carga negativa é o elétron.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.