Nos desenhos animados, com frequência se vê um personagem correndo na direção de um abismo, mas, ao invés de cair, ele continua andando no vazio e só quando percebe que não há nada sob seus pés é que ele para de andar e cai verticalmente. No entanto, para observar uma trajetória de queda num experimento real, pode-se lançar uma bolinha, com velocidade constante (V0), sobre a superfície de uma mesa e verificar o seu movimento de queda até o chão.
Questão 113 do ENEM 2020 — Ciências da Natureza
Resolução comentada
O movimento no mundo real
A questão nos convida a abandonar a "física dos desenhos animados" e analisar o que de fato acontece quando um objeto é lançado horizontalmente da beira de uma mesa. Para descobrir a trajetória correta da bolinha, precisamos entender os movimentos envolvidos no instante em que ela perde o contato com a superfície.
O Princípio da Independência dos Movimentos
Ao abandonar a mesa, o movimento da bolinha passa a ser a composição de dois movimentos simultâneos e independentes. Esse conceito clássico da cinemática, o Princípio da Independência dos Movimentos, foi formulado por Galileu. Vamos analisar cada eixo:
Na direção horizontal: pela Primeira Lei de Newton (Princípio da Inércia), sem força resultante o corpo mantém a velocidade. Desconsiderando a resistência do ar, nada atua na horizontal, então a bolinha segue avançando com a mesma velocidade inicial . É um Movimento Retilíneo Uniforme (MRU).
Na direção vertical: ao sair da mesa, a bolinha perde o apoio e a força peso passa a agir. Ela começa a cair com velocidade vertical nula, mas ganha velocidade continuamente por causa da aceleração da gravidade . É um Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV), como uma queda livre.
A formação da trajetória
A trajetória observada é a soma geométrica desses dois movimentos. Pense na cena quadro a quadro: a cada intervalo de tempo a bolinha avança sempre a mesma distância para a frente (velocidade horizontal constante), mas cai uma distância cada vez maior (está acelerando na vertical).
Essa combinação — avanço constante na horizontal com queda cada vez mais rápida na vertical — produz uma curva suave que começa quase horizontal e vai ficando cada vez mais inclinada para baixo. Como a posição vertical cresce com o quadrado do tempo, a curva descrita é uma parábola.
Analisando as alternativas
A trajetória fisicamente correta é o arco de parábola, descendo com concavidade voltada para baixo: sai da mesa quase na horizontal e vai se curvando cada vez mais para baixo até atingir o solo. Essa é a Alternativa D.
As demais representam situações impossíveis para esse lançamento:
- Uma que mostra a bolinha seguindo reta na horizontal por um trecho e só depois caindo em ângulo reto reproduz a "física dos desenhos animados", como se a gravidade esperasse para agir.
- Uma reta diagonal só seria possível se a velocidade de queda fosse constante, ignorando a aceleração da gravidade .
- Uma queda puramente vertical violaria o Princípio da Inércia, como se a velocidade horizontal desaparecesse no instante em que a bolinha deixa a mesa.
- Uma curva com a concavidade invertida (mais inclinada no início e horizontal no fim) sugeriria absurdos, como a gravidade diminuindo com o tempo ou uma força empurrando a bolinha para frente.
Portanto, a Alternativa D é a única correta.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2020 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.




